Experiências adversas na infância e seu impacto na saúde mental do adulto no contexto brasileiro: Fatores de risco, mediadores e moderadores
Experiências Adversas na Infância, Regulação Emocional, Autoestima, Contexto socioeconômico, Saúde Mental
As Experiências Adversas na Infância (EAIs) estão associadas a um maior risco de transtornos emocionais na vida adulta, como depressão e ansiedade. No entanto, os mecanismos que explicam essa relação ainda não são completamente compreendidos. A regulação emocional e a autoestima são possíveis mediadores desse efeito, pois adversidades precoces podem comprometer o processamento emocional e a percepção de si. Além disso, fatores socioeconômicos influenciam tanto a exposição às EAIs quanto a resiliência psicológica. Este estudo tem como objetivo investigar a relação entre EAIs e sintomas de depressão, ansiedade e estresse na vida adulta, considerando a mediação da regulação emocional e da autoestima, além do impacto de fatores socioeconômicos. A amostra (mínimo de 115 participantes) será composta por estudantes e servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), recrutados por e-mail institucional e redes sociais. Os participantes responderão ao Questionário sobre Traumas na Infância (QUESI), ao Questionário de Regulação Emocional (QRE), à Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR), à Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21) e a um questionário socioeconômico desenvolvido para este estudo. A relação entre EAIs e sintomas de depressão, ansiedade e estresse será analisada por testes de correlação. As análises de mediação, utilizando regressão linear simples, avaliarão o papel da autoestima e da regulação emocional na relação entre EAIs e saúde mental. Além disso, a moderação do nível socioeconômico será testada por regressão linear com interação, verificando se esse fator influencia a força da associação entre EAIs e saúde mental. Espera-se que maiores níveis de EAIs estejam associados a piores indicadores de saúde mental, sendo essa relação parcialmente explicada pelos mediadores. Além disso, espera-se que condições socioeconômicas desfavoráveis na infância aumentem a vulnerabilidade aos desfechos emocionais negativos. A compreensão desses mecanismos pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias preventivas e terapêuticas mais eficazes, além de informar o poder público sobre programas de suporte/ prevenção à ansiedade e à depressão em termos de prevenção à exposição às EAIs.