Efeitos da Escetamina Subcutânea na Depressão Resistente ao Tratamento: Evidências Clínicas e Biológicas
Depressão Resistente ao Tratamento; Escetamina; Administração Subcutânea; Biomarcadores; Psiquiatria de Precisão.
A identificação de intervenções antidepressivas rápidas, seguras e biologicamente informativas constitui um dos principais desafios atuais no tratamento da depressão resistente ao tratamento (DRT). Nesse contexto, a cetamina e a escetamina têm se destacado pelo potencial de produzir melhora clínica rápida e sustentada, embora ainda persistam lacunas relacionadas à segurança de administrações repetidas, à acessibilidade de diferentes vias de administração e aos mecanismos biológicos associados à resposta terapêutica. Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia antidepressiva, a segurança clínica e cardiovascular e os mecanismos biológicos potencialmente associados à administração repetida de escetamina por via subcutânea em pacientes com depressão unipolar resistente ao tratamento, por meio de quatro estudos inter-relacionados voltados à investigação de desfechos clínicos, cardiovasculares, inflamatórios e neuroendócrinos. O primeiro estudo demonstrou que a escetamina subcutânea produziu melhora significativa dos sintomas depressivos ao longo de oito semanas de tratamento, com taxas de resposta de 52,17%, remissão de 34,78% e resposta parcial de 26,09%. A melhora clínica foi mantida durante o período de seguimento de seis meses, sem evidências de toxicidade hepática ou renal clinicamente relevante. O segundo estudo mostrou que as alterações cardiovasculares observadas após as administrações foram transitórias, caracterizadas principalmente por aumentos temporários da pressão arterial, sem necessidade de intervenções de emergência ou ocorrência de eventos adversos graves. O terceiro estudo investigou a proteína C-reativa (PCR), observando redução significativa dos níveis inflamatórios em pacientes com inflamação basal elevada, embora essas alterações não tenham se associado à magnitude da melhora clínica. Por fim, o quarto estudo avaliou o cortisol plasmático, identificando alterações longitudinais compatíveis com um possível efeito de normalização do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, sem associação significativa com resposta ou remissão antidepressiva. Em conjunto, os resultados sugerem que a escetamina administrada por via subcutânea constitui uma alternativa terapêutica promissora para pacientes com DRT, apresentando eficácia antidepressiva sustentada e perfil de segurança favorável. Além disso, os achados contribuem para a compreensão dos mecanismos biológicos potencialmente envolvidos na resposta ao tratamento e reforçam a necessidade de estudos adicionais voltados à integração de biomarcadores em modelos de psiquiatria de precisão.