Variação populacional na resposta à exposição embrionária ao álcool em zebrafish
FASD, Zebrafish, Diferenças populacionais, Desenvolvimento, Comportamento.
O consumo de álcool durante a gestação permanece um importante problema de saúde pública, dado que a exposição embrionária ao etanol pode comprometer o desenvolvimento e resultar nos Transtornos do Espectro Alcoólico Fetal (FASD). A variabilidade na manifestação desses transtornos é ampla e depende de múltiplos fatores, especialmente das diferenças genéticas entre populações e das condições ambientais. Nesse contexto, o zebrafish se destaca como um modelo translacional robusto para investigar os mecanismos que modulam a suscetibilidade ao álcool.
Esta tese tem como objetivo compreender como distintas populações de zebrafish respondem à exposição embrionária ao álcool, integrando análises morfológicas, comportamentais e moleculares. No primeiro capítulo, demonstramos que AB, TU e OB apresentam padrões divergentes de susceptibilidade, manifestados em diferenças no desenvolvimento, no comportamento social e na expressão de genes relacionados à neurogênese, neurotransmissão e plasticidade neural. No segundo capítulo, atualmente em andamento, exploramos como essas populações respondem a testes relacionados ao medo (incluindo substância de alarme e exposição ao predador) buscando identificar marcadores comportamentais e genéticos associados à ansiedade após exposição ao etanol. O capítulo três, que será executado durante o estágio de doutorado sanduíche na Itália, sob orientação do Dr. Tyrone Lucon-Xiccato, na Universidade de Ferrara, investigará fatores relacionados a como a exposição embrionária ao álcool pode afetar a cognição e como o BDNF pode estar ligado à esses efeitos. Além disso, um último capítulo contará ainda com uma proposta de intervenção, onde utilizaremos o canabidiol como proposta para amenizar os efeitos causados pela exposição embrionária ao álcool.
Os resultados obtidos até o momento reforçam a influência do background genético na suscetibilidade ao álcool. No Capítulo 1, demonstramos que as populações AB, TU e OB apresentam respostas distintas à exposição embrionária ao etanol: OB exibiu maior mortalidade e alterações marcantes em genes ligados ao metabolismo e à neurotransmissão; AB apresentou redução no crescimento corporal e ocular, além de aumento na coesão social sob efeito do álcool; enquanto TU mostrou maior sensibilidade comportamental, apesar de relativa resiliência morfológica. Já no Capítulo 2, observamos que essas diferenças também se manifestam em comportamentos relacionados ao medo: cada população apresentou padrões específicos nos testes de substância de alarme e resposta ao predador, sugerindo que o álcool modula circuitos de ansiedade de forma dependente da linhagem. Em conjunto, esses achados revelam que tanto aspectos morfológicos quanto emocionais são diferencialmente afetados pela interação entre genética e exposição ao álcool.
Ao integrar diferentes níveis de análise e comparar linhagens geneticamente distintas, o projeto busca avançar na compreensão das diferenças populacionais na FASD, contribuindo para o delineamento de biomarcadores e para o desenvolvimento de estratégias mais precisas de diagnóstico e intervenção.