O risco de brincar: vigilância durante episódios lúdicos de Callithrix jacchus selvagens
comportamento social, Callitrichidae; sagui; predação; prosocialidade
O comportamento de brincadeira promove diversos benefícios aos praticantes, entretanto há custos e riscos associados a esta prática, como o elevado gasto energético, risco de injúrias e maior vulnerabilidade à predação. Uma das formas de mitigar o risco de predação é a vigilância, que consiste no monitoramento do ambiente para identificar possíveis ameaças. Este estudo propõe investigar a relação entre o comportamento de brincadeira e a ocorrência de vigilância, examinando como características intrínsecas a esse comportamento podem modular a vigilância em saguis (Callithrix jacchus) em ambiente natural. Hipotetizamos que existem aspectos na brincadeira que podem modular a ocorrência de vigilância, sendo eles: duração, composição de subgrupos de participantes, local, substrato, altura e exposição dos participantes. Portanto, esperamos que haja maior vigilância em brincadeiras que tenham maior duração, contenham infantes e juvenis, vocalizações sendo emitidas pelos participantes, que ocorram em locais não usuais, em alturas elevadas e no solo e com participantes expostos. Para testar nossas hipóteses, foram realizadas amostragens comportamentais (varredura e animal focal) de 22 saguis entre o período de setembro de 2023 a junho de 2024 na FLONA de Açu (RN, Brasil). Nossos resultados indicaram maior vigilância nas seguintes situações: em episódios mais longos, na presença de imaturos, contendo vocalizações, em locais não usuais e em alturas próximas ao solo. Esse aumento de vigilância pode refletir os riscos atrelados ao comportamento de brincar. Este estudo reforça os elevados níveis de cognição e prosocialidade exibidos por saguis, sugerindo que esses primatas possuem a capacidade de percepção prévia de risco mesmo na ausência de ameaças imediatas.