AVALIAÇÃO TOXICOLÓGICA E EFEITO TERAPÊUTICO DO EXTRATO HIDROALCOÓLICO DE Momordica charantia NA RESPOSTA INFLAMATÓRIA AGUDA INDUZIDA POR LIPOPOLISSACARÍDEO (LPS)
Momordica charantia; citocinas; óxido nítrico; toxicidade aguda; modelo de peritonite; macrófagos RAW 264.7; atividade anti-inflamatória.
Momordica charantia L. (Cucurbitaceae) tem sido amplamente reconhecida por seu potencial farmacológico, embora estudos sobre suas folhas permanecem escassos. Neste estudo, o extrato hidroetanólico da folha (MCHLE) foi caracterizado quimicamente por LC-MS/MS, revelando a presença de octopamina, ferulato, vitexina-2-O-ramnosídeo e outros fenólicos bioativos. A avaliação toxicológica em ratos Wistar demonstrou que tanto a administração aguda (2000 mg/kg) quanto a administração oral repetida (até 400 mg/kg por 28 dias) não causam sinais clínicos ou comportamentais de toxicidade, mantendo os parâmetros hepáticos e renais normais. Notavelmente, o tratamento reduziu significativamente os níveis de glicose e colesterol, além de atenuar a peroxidação lipídica e aumentar as defesas antioxidantes. In vivo, o MCHLE inibiu a infiltração de leucócitos e neutrófilos no modelo de peritonite induzida por LPS, com eficácia comparável à dexametasona. Também reduziu a secreção de TNF-α e a geração de óxido nítrico em fluidos peritoneais. Ensaios in vitro com macrófagos RAW 264.7 estimulados por LPS confirmaram esses efeitos, demonstrando inibição dose-dependente da produção de TNF-α, IL-1β e NO. A análise da expressão gênica demonstrou ainda a regulação negativa de TNF-α e MAPK, com supressão acentuada dos transcritos de NF-κB. Coletivamente, esses resultados fornecem fortes evidências de que o MCHLE exerce atividade anti-inflamatória, atuando tanto na liberação de mediadores quanto nas vias de sinalização a montante, mantendo um perfil de segurança favorável, reforçando seu potencial como fonte de novos agentes terapêuticos.