RELAÇÃO DA VITAMINA D E MARCADORES INFLAMATÓRIOS E ANGIOGÊNICOS NA PRÉ-ECLÂMPSIA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Pré-eclâmpsia. Vitamina D. Marcadores inflamatórios. Fatores angiogênicos.
A pré-eclâmpsia (PE) é uma doença multifatorial e multissistêmica que tem como critérios de diagnóstico a hipertensão, após 20 semanas de gestação, acompanhada de proteinúria e/ou disfunção de órgão-alvo. A PE está associada a diversas complicações tanto maternas quanto fetais, que podem culminar com o óbito. Assim, a identificação de biomarcadores com poder de diagnóstico pode levar a intervenções precoces, minimizando as complicações. Alguns estudos vêm avaliando a associação da deciciência de Vitamina D com o desenvolvimento e gravidade da PE, além disso, há evidências de que marcadores inflamatórios e fatores envolvidos na angiogênese possam ser utilizados como biomarcadores de PE. Assim, o objetivo deste estudo foi investigar se há associação da deficiência de vitamina D com marcadores inflamatórios e angiogênicos na PE. Para isto, foi elaborada uma revisão sistemática de acordo com as diretrizes PRISMA e registrada no PROSPERO (CRD42021262723). PubMed; Lilacs; Scopus; Embase; Web of Science; Science Direct; Cochrane Library e Gray-literature: CAPES e Google Scholar, foram as bases de dados utilizadas para a busca de artigos publicados até julho de 2021, sem restrição de idioma. A pergunta clínica foi elaborada de acordo com a estratégia PICOT, sendo elegíveis estudos observacionais (transversais, caso-controle e coorte), que avaliassem concentração sérica de marcadores inflamatórios (IL-6, TNF-α, IL-4 e IL-10) e marcadores angiogênicos (PIGF, VEGF, sFlt-1 e endoglina), bem como a concetração sérica de vitamina D, sendo o desfecho principal a associação desses marcadores com a deficiência de vitamina D. As etapas de seleção por título e resumo, leitura de texto completo e extração de dados foram realizadas por dois pesquisadores de forma independente e um terceiro para decisão de conflitos. No total, 353 artigos foram recuperados pela estratégia de busca e 3 artigos preencheram os critérios de inclusão. A avaliação da qualidade metodológica dos estudos foi feita por meio da escala de Newcastle-Ottawa e todos apresentaram baixo risco de viés. Foi encontrada deficiência de vitamina D em todas as gestantes com PE. Em todos os estudos as gestantes do grupo PE apresentaram níveis plasmáticos de vitamina D mais baixos que as gestantes do grupo controle. Foi observado também que as concentrações de vitamina D foram mais baixas nas gestantes com PE de início precoce que nas gestantes com PE de início tardio, assim como nas gestantes diagnosticadas com PE grave em comparação com as gestantes com PE leve. Dessa forma, a deficiência de vitamina D pode estar fortemente correlacionada com o desenvolvimento e severidade da PE.