DESENVOLVIMENTO DE NANOSISTEMAS PARA IMUNIZAÇÃO EXPERIMENTAL APLICADA À LEISHMANIOSE VISCERAL
nanopartículas de PLA; polietilenimina; Leishmania infantum; doenças tropicais negligenciadas
O presente estudo desenvolveu e caracterizou nanopartículas de ácido poli-lático (PLA) funcionalizadas com polietilenimina (PEI) e incorporadas com extrato proteico de Leishmania infantum, com o objetivo de avaliar sua aplicabilidade como estratégia imunoterapêutica contra a leishmaniose visceral. As nanopartículas foram obtidas por nanoprecipitação, apresentando forma esférica e estabilidade físico-química satisfatória por 30 dias, mesmo após a funcionalização com PEI e o extrato antigênico. Avaliações por espalhamento dinâmico de luz (DLS), potencial zeta e microscopia eletrônica de varredura (MEV) confirmaram a eficiência de encapsulamento, bem como a integridade morfológica das nanopartículas. A citotoxicidade dos sistemas foi investigada in vitro em linhagens celulares de fibroblastos (3T3) e macrófagos (RAW 264). As nanopartículas brancas demonstraram baixa toxicidade, enquanto os sistemas catiônicos apresentaram uma citotoxicidade dependente da concentração. A funcionalização com extrato proteico mitigou os efeitos adversos em parte dos testes, o que sugere modulação da interação entre as nanopartículas e as células. A eficácia imunogênica dos nanosistemas foi avaliada in vivo por meio da imunização de camundongos BALB/c. Os animais foram divididos em quatro grupos experimentais e monitorados quanto à produção de anticorpos IgG totais e subclasses IgG1, IgG2a, IgG2b e IgG3 ao longo de 60 dias. Os resultados indicaram que todos os grupos imunizados apresentaram aumento significativo na produção de IgG, com picos em diferentes tempos. Apesar de os níveis mais altos de IgG terem sido observados nos grupos controle com extrato livre ou extrato + alumínio, os grupos tratados com nanopartículas também induziram uma resposta humoral sustentada. A análise das subclasses de IgG revelou predominância de IgG2b e IgG3 nos grupos com nanopartículas, o que sugere uma resposta imune do tipo Th1, mais eficaz contra infecções intracelulares como a leishmaniose. Além disso, a capacidade das nanopartículas de proteger o extrato da degradação e promover liberação controlada reforça seu potencial como adjuvante vacinal. Conclui-se que os nanosistemas desenvolvidos são promissores como ferramentas na imunoterapia da leishmaniose visceral, apresentando características favoráveis de estabilidade, baixa toxicidade e capacidade de modular a resposta imune. Estudos futuros devem aprofundar a compreensão dos mecanismos imunomoduladores envolvidos para otimizar sua eficácia vacinal.