Banca de DEFESA: HAYANE MATEUS SILVA GOMES

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : HAYANE MATEUS SILVA GOMES
DATA : 25/02/2026
HORA: 09:00
LOCAL: webconferência
TÍTULO:

A INVISIBILIDADE DAS PROFESSORAS NEGRAS NO ENSINO SUPERIOR: DESAFIOS E ESTRATÉGIAS DE RESISTÊNCIA


PALAVRAS-CHAVES:

Professoras negras; Racismo institucional; Ensino superior; Invisibilidade; Resistência


PÁGINAS: 129
RESUMO:

Esta tese investiga as experiências, trajetórias e formas de resistência de professoras negras atuantes no ensino superior, com foco na Universidade Regional do Cariri (URCA), no Ceará. O estudo parte do reconhecimento de que a universidade brasileira, historicamente constituída sob bases coloniais e eurocentradas, tem reproduzido mecanismos de exclusão racial e de gênero que impactam de maneira específica a presença, a permanência e o reconhecimento de mulheres negras no magistério superior. Ancorada em uma abordagem qualitativa, a pesquisa utiliza a entrevista narrativa como principal procedimento metodológico, compreendendo-a não apenas como técnica de coleta de dados, mas como dispositivo político de escuta e produção de sentidos. A opção pela narrativa possibilita acessar memórias, trajetórias e experiências marcadas pela invisibilidade, pelo silenciamento e pelo racismo institucional, ao mesmo tempo em que evidencia estratégias de resistência e reexistência construídas coletivamente.O referencial teórico articula contribuições do pensamento feminista negro, dos estudos decoloniais e da educação antirracista. Autoras como Lélia Gonzalez (1988; 2018) fundamentam a análise ao evidenciar a articulação entre racismo e sexismo na formação da sociedade brasileira e na produção de hierarquias no campo do conhecimento. Sueli Carneiro (2003; 2005) é central para compreender o conceito de epistemicídio, permitindo analisar como os saberes produzidos por mulheres negras são historicamente desqualificados ou apagados no espaço universitário. A escolha dessa autora se justifica por sua contribuição decisiva para a crítica às estruturas raciais do conhecimento e para a compreensão do racismo como tecnologia de poder.Nilma Lino Gomes (2002; 2017) é mobilizada como referência fundamental no campo da educação, especialmente por sua leitura do movimento negro como produtor de saberes e por sua reflexão sobre a presença negra nas instituições educacionais como prática pedagógica e política. Sua obra contribui para compreender as trajetórias das professoras negras não apenas como histórias individuais, mas como experiências coletivas inscritas em processos históricos de luta por reconhecimento e justiça racial.Dialogam ainda com a pesquisa autoras como Patricia Hill Collins (2000; 2019), cuja noção de pensamento feminista negro permite compreender a produção de conhecimentos situados, e Conceição Evaristo (2008), cuja ideia implica em que experiência, memória e produção acadêmica se entrelaçam. Esses aportes teóricos possibilitam analisar a invisibilidade não como ausência, mas como presença negada, silenciada e atravessada por relações de poder.Os resultados da pesquisa indicam que a invisibilidade das professoras negras na URCA se manifesta tanto na baixa representatividade quanto na ausência de políticas institucionais de permanência docente, na dificuldade de acesso a recursos para pesquisa, no reduzido reconhecimento acadêmico e em experiências recorrentes de racismo explícito e velado. Observa-se que, em determinados cursos de graduação, como Geografia, Letras, Enfermagem e Medicina, não foi identificada a presença de mulheres negras no corpo docente efetivo, o que reforça o caráter estrutural dessa exclusão.As narrativas, contudo, revelam fissuras nas estruturas institucionais, evidenciando práticas de resistência que se expressam na construção de redes de apoio, na atuação em coletivos, grupos de pesquisa e na produção de conhecimentos comprometidos com a transformação social. Essas estratégias demonstram que a resistência não se dá de forma individual, mas coletiva, reafirmando a presença das professoras negras como força política e epistemológica no interior da universidade.Conclui-se que a presença de mulheres negras no ensino superior tensiona as lógicas coloniais que estruturam a universidade brasileira e aponta para a urgência de políticas institucionais comprometidas com a equidade racial, a valorização de saberes afro-brasileiros e a efetivação de ações afirmativas no magistério superior. Ao tornar visíveis essas trajetórias, a tese contribui para ampliar o debate sobre justiça racial na educação e para reafirmar que a universidade só se tornará verdadeiramente democrática quando reconhecer, valorizar e sustentar as presenças negras que historicamente a constituem.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - FRANCISCA LAUDECI MARTINS SOUSA - URCA
Presidente - 1149638 - ANTONIO BASILIO NOVAES THOMAZ DE MENEZES
Externo à Instituição - ANTONIO JÚLIO GARCIA FREIRE - UERN
Externa à Instituição - CÍCERA NUNES - URCA
Interna - 1181646 - KILZA FERNANDA MOREIRA DE VIVEIROS
Interna - ***.088.424-** - MARLUCIA MENEZES DE PAIVA - UFRN
Interna - 2527711 - OLIVIA MORAIS DE MEDEIROS NETA
Notícia cadastrada em: 05/02/2026 16:58
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