O ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA NO ENSINO MÉDIO INTEGRADO DO IFPE - CAMPUS RECIFE: REFLEXÕES SOBRE A PERMANÊNCIA ESTUDANTIL EM TEMPOS DE PANDEMIA DE COVID-19.
Palavras-chave: Permanência estudantil; Pandemia de Covid-19; Estudantes com
Deficiência; Ensino Médio Integrado, IFPE-Campus Recife.
No Brasil, a permanência e o acesso a uma educação de qualidade caracterizam se como um direito social inalienável ao estudante com deficiência.Tais mecanismos estão assegurados constitucionalmente e encontram-se ancorados também em outros importantes documentos normativos do país, a exemplo da Lei Brasileira de Inclusão e a Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. Não obstante, esse direito, apesar de garantido legal e formalmente, nem sempre é concretizado de maneira efetiva em contextos educacionais brasileiros, sobretudo em períodos de crise como o da pandemia da Covid-19, quando se evidenciaram ainda mais as desigualdades e disparidades sociais no acesso e permanência desses estudantes nas instituições de ensino. E é nesse contexto de incertezas e desigualdades educacionais escancaradas que os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia atuam como mitigadores das desigualdades regionais, sociais e educacionais; em especial, no caso do presente estudo, o IFPE-Campus Recife. Frente a tal contextualização, ratifica-se que esta tese teve como objetivo geral analisar a permanência de estudantes com deficiência no período pandêmico da Covid-19, no contexto do Ensino Médio Integrado, no IFPE Campus Recife. Para o alcance de tal objetivo, foi realizada uma pesquisa de abordagem qualitativa e documental, bem como a aplicação de questionários semiestruturados aos participantes-chave desta pesquisa. Entre estes, destacam-se os discentes com deficiência ingressos no Ensino Médio Integrado, que vivenciaram a pandemia de Covid-19, professores do Ensino Médio Integrado e profissionais do Núcleo de Apoio ao estudante com Deficiência do Campus que acompanharam os estudantes durante todo esse período. Os dados foram coletados durante os anos de 2024 e 2025 seguindo os protocolos éticos inalienáveis à pesquisa científica, como a aprovação prévia do projeto e dos intrumentos de pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa da UFRN e preservação da identtidade dos participantes envolvidos nesta pesquisa. Os resultados evidenciaram que o Ensino Remoto Emergencial, adotado pela situação atípica da pandemia, invariavelmente terminou por agravar as desigualdades educacionais já existentes entre os alunos com deficiência do IFPE.Tal constatação baseia-se nos próprios depoimentos dos estudantes, que relataram dificuldades em permanencer nas aulas muito em decorrência da carência de acessibilidade nas plataformas online nas quais as aulas foram ministradas, indiferença de alguns professores, sobretudom dos cursos técnicos em se preocupar em ofertar aulas mais acessíveis, bem como a ausência de recursos pedagógicos adequados para a aprendizagem em tempos de pandemia. Não obstante, ainda que diversos desafios desse tipo tenham se manifestado naexecução do ensino remoto, identificaram-se ações institucionais que contribuíram para mitigar os efeitos deletérios dessa modalidade de ensino e reduziu o grau de danos ocasionados nos estudantes, com vistas a assegurar a sua permanência como o apoio do NAPNE e programas de assistência estudantil. Com isso, concluise que a efetivação da inclusão educacional requer políticas públicas estruturantes, formação docente contínua e valorização da diversidade como eixo central daprática pedagógica.