EDUCAÇÃO FÍSICA NA LITERATURA: AS PRÁTICAS MARGINAIS DO BRINCAR E JOGAR EM “MALAGUETA, PERUS E BACANAÇO” DE JOÃO ANTÔNIO
Educação Física; Literatura; jogos e brincadeiras; João Antônio.
No campo escolar, os jogos marginalizados questionam a hegemonia dos esportes organizados, frequentemente priorizados em currículos tradicionais, e apontam para a riqueza cultural das práticas populares. Diante disso, esta pesquisa propõe uma relação dialogal entre a literatura de João Antônio e a Educação Física no referente aos sentidos e significados das práticas corporais, especificamente dos jogos e das brincadeiras, conteúdos vistos como marginalizados diante outros conteúdos hegemônicos nessa área de conhecimento. Nossa indagação é se os saberes e fazeres marginalizados nesses contos podem ser apenas acionados, inviabilizando seus significados culturais, ou podem trazer considerações possíveis que sejam adicionadas aos saberes acadêmicos com vistas a ampliar a compreensão dessas práticas corporais por meio de outras linguagens. Trata-se de uma pesquisa documental, com características de estudo descritivo, com abordagem analítica qualitativa, que privilegia a investigação bibliográfica e o levantamento documental de fontes primárias e secundárias para descrição, análise e interpretação das informações da investigação. Foi realizada através da análise das obras literárias de João Antônio, que tematizam as práticas corporais, jogos e brincadeiras. Como considerações, trazemos que a literatura de João Antônio oferece saberes que valorizam a diversidade cultural, desvelam exclusões e incentivam uma reflexão crítica sobre práticas corporais como linguagens culturais e espaços de resistência. Pedagogicamente, suas narrativas abrem possibilidades para integrar a cultura e o movimento, ampliando o repertório dos alunos e promovendo discussões sobre inclusão, identidade e diversidade. Projetos interdisciplinares que conectem as práticas corporais e leitura podem enriquecer a Educação Física, permitindo que os alunos expressem criatividade e reflitam sobre questões sociais no campo da linguagem. Assim como os desafios que a formação docente e currículos que muitas vezes negligenciam abordagens críticas e culturais. No entanto, as narrativas de João Antônio podem ser dispositivos para repensar a Educação Física, transformando jogos e brincadeiras em práticas que contribuam para a formação de cidadãos conscientes e conectados com as diversas realidades culturais.