ATIVIDADE CRIADORA E EXPERIÊNCIAS ESTÉTICAS NA FORMAÇÃO DOCENTE INICIAL: UM ESTUDO A PARTIR DA PSICOLOGIA HISTÓRICO-CULTURAL
Atividade criadora; Experiências estéticas; Dimensão estética;
Formação inicial de professores; Psicologia Histórico-Cultural.
O presente estudo objetiva compreender possibilidades de que a formação docente
inicial propicie o desenvolvimento da atividade criadora enquanto dimensão
constitutiva da docência, a partir das contribuições da Psicologia Histórico-Cultural.
Está fundamentado no materialismo histórico-dialético, referencial teórico que
fornece subsídios conceituais para reflexões acerca do trabalho docente, dos processos de criação e imaginação e da estética como potenciais contrapontos à
alienação promovida no âmbito da sociedade capitalista. Para fins de compreensão
dessa potencialidade no tocante à formação docente inicial, foi realizado um
Experimento Formativo, desenvolvido durante a Docência Assistida em um
componente curricular de estágio obrigatório em um curso de licenciatura de uma
universidade pública do Rio Grande do Norte. A metodologia foi desenvolvida em
quatro etapas: 1) diagnóstico da turma participante; 2) planejamento do experimento
formativo; 3) desenvolvimento do experimento formativo e 4) análise dos dados do
experimento formativo. Dos estudantes matriculados na turma em que foi realizado o
experimento, dez declararam anuência para participação na pesquisa. A partir dos
resultados encontrados, foram estabelecidas três categorias de análise, a posteriori,
a saber: a influência da racionalidade técnica na formação docente inicial dos
estudantes; a dimensão estética como convite à atividade criadora docente; e a
importância do papel do professor formador no desenvolvimento da atividade
criadora dos licenciandos. Os dados analisados permitem concluir que a formação
inicial, quando orientada pelo desenvolvimento da atividade criadora, favorece uma
atuação mais crítica, humanizadora, transformadora e estética. Considera-se
essencial tratar a criação como tema transversal na formação docente, exigindo
esforços coletivos para a revisão de práticas pedagógicas, formulação de políticas
públicas e valorização do professor como agente humanizador e criador. A
consolidação dessa perspectiva demanda alinhamento entre políticas educacionais,
práticas formativas e formação continuada, reconhecendo a criação como dimensão
essencial e indissociável do trabalho docente.