EDUCAÇÃO DOS SERTÕES EM TOM ZÉ: BARRUADAS COGNITIVAS
Educação dos Sertões; Tom Zé; cultura oral; sentir/pensar; espiritar; analfatóteles.
Esta pesquisa discute a educação que se dá no universo dos sertões brasileiros. Objetivo compreender as formulações teórico-sociais da educação oral na jornada-vidartística de Tom Zé. Este cantor e compositor baiano educado no sertão de Irará-BA, numa cultura oral, afirma vozes e territórios coletivos, cujas sabenças se erguem fora da legitimação dos conhecimentos cartesianos, que contribuem marcadamente para uma padronização de sujeitos. O trabalho é atravessado e conduzido pelo que a escritora Conceição Evaristo (2020) nomeia escrevivência, por isso escrito em primeira pessoa. Trabalho a partir da abordagem teórico-metodológica do Grupo de Pesquisa Sertania e Educação/UFRN e seus chãos ou pilares móveis: vastidão, antropofagia, itinerância e pessoa. Ao matutar Ciência e Educação onde os sertões são possíveis, foram fundamentais as contribuições de Barbosa Junior (2017, 2023), Ferreira (2010), Senna (2003), Piúba (2022, 2023), Rezende (2024); as perspectivas decolonial de Quijano (2005), Marcelo Lemos (2019), Walter Mignolo (2007), Lélia Gonzalez (2020), Lima (2023) e afroindígena de Krenak (2019, 2020, 2022) e Nêgo Bispo (2022, 2023), este último com uma mirada contracolonial. O estudo revelou que a Educação dos Sertões é uma educação dos sentidos, não apenas oral, pois convoca e mobiliza cosmovisões e aprendizagens que atravessam o ser na integralidade. O fluir da educação oral do sertão de Irará afirmou Tom Zé enquanto pessoa acesa, presentificada no e com o mundo, se reinventando cotidianamente e fazendo frente à feroz investida de padronização das pessoas, processo que o caracteriza como educador contracolonial.