SISTEMA SIGNWRITING: A ESCRITA DA MINHA LÍNGUA COMO MARCADOR CULTURAL DO SURDO
Escrita de sinais; Surdo; SignWriting; Bilinguismo
Esta tese tem como objeto de estudo o sistema SignWriting no Curso de Letras Libras/Língua Portuguesa (CLLLP), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nosso objetivo é compreender as contribuições da escrita de sinais para o fortalecimento do processo de formação acadêmica/profissional, identitária, política e cultural dos surdos do Curso de Letras: Libras/ LP da UFRN. Nesse sentido, assumimos como pergunta orientadora da nossa pesquisa: Como a escrita de sinais pode propiciar a fomentação e o acesso do sujeito surdo ao conhecimento? Considerando essa pergunta e a complexidade do nosso objeto de estudo, assumimos a pesquisa qualitativa, com ênfase na narrativa autobiográfica. Qualitativa porque aquilo que buscamos saber não pode ser mensurado ou compreendido apenas com números ou dados que evidenciem a dimensão quantitativa do estudo. O interesse pela autobiografia deve-se ao fato de que a roda de conversa, enquanto um procedimento de pesquisa, necessitava que os participantes narrassem para o coletivo sua história de vida. Como procedimento estratégico para a construção de dados e informações na pesquisa, criamos um projeto de extensão a respeito da escrita de sinais, direcionado para alunos surdos do Curso de Letras Libras da UFRN. Este projeto foi encerrado com a roda de conversa. Além de criarmos essa fonte de dados e informações. Acessamos o Projeto Pedagógico do Curso de Letras Libras/Língua Portuguesa da UFRN. Além dessas fontes, se fez necessário construirmos um quadro de teóricos do Bilinguismo e dos Estudos Surdos que foi composto por SKLIAR (2003), PERLIN (2003), SÁ (2006), SÁ & SÁ (2015), DALLAN (2013), BARRETO & BARRETO (2013). Os estudos e as referências nos ajudaram a compreender que, para ocorrer uma educação, especialmente educação escolar sem bloqueios ou sofrimento, é necessário que o surdo não somente aproprie-se primeiramente da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), mas também da escrita representativa de sua língua natural –L1. Essa apropriação consciente da sua língua sinalizada e escrita, possibilitará a emancipação do surdo de maneira que, a cada dia, consiga ampliar e aprofundar a sua forma de olhar o mundo, passando ao protagonismo de narrar a si mesmo. Assim, concluímos a pesquisa afirmando que a apropriação consciente pelo surdo da sua língua sinalizada e escrita é um processo libertador.