Efeito da terapia nutricional com leite humano pasteurizado colostro/hipercalórico na adequação da dieta de recém-nascidos prematuros: um ensaio clínico randomizado controlado.
Nutrição Enteral; Bancos de Leite Humano; Unidades de Terapia Intensiva Neonatal; Recém-Nascido de Baixo Peso.
O leite materno é considerado o padrão-ouro para nutrir recém-nascidos pré-termo (RNPT). No entanto, alcançar a adequação nutricional por meio da terapia nutricional enteral permanece um desafio nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), especialmente diante das limitações fisiológicas e da baixa tolerância volumétrica desses recém-nascidos. Diante desse cenário, o uso do leite humano pasteurizado (LHP), levando em consideração a sua variabilidade energética, mostra-se uma estratégia de otimização da oferta nutricional para RNPTs, o que pode favorecer o alcance das metas de recomendação de ingestão nutricional estabelecidas por diretrizes para esse público. Portanto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito da terapia nutricional com LHP na forma de colostro seguido do LHP hipercalórico, sobre a adequação da dieta enteral de RNPTs internados em UTIN. Trata-se de um ensaio clínico randomizado, controlado e cego, no qual os 115 participantes foram randomizados e alocados em dois grupos: grupo controle (n=57), que recebeu leite materno ordenhado (LMO) e LHP normocalórico; e grupo intervenção (n=58), que recebeu LMO e LHP colostro até atingir o volume de 100 ml/kg/dia, para então receber o LHP hipercalórico (≥70 kcal/100 ml). A intervenção foi mantida por, no mínimo, sete dias, até a alta da UTIN ou até alteração da prescrição médica que implicasse mudança da estratégia alimentar prevista para o grupo. A dieta administrada foi acompanhada semanalmente (aos 7 e 14 dias de seguimento, e na alta da UTIN) pelos prontuários, com coleta de dados referentes ao volume, frequência, o tipo da dieta e a via de administração. A adequação nutricional, desfecho primário deste estudo, foi avaliada pelo alcance das recomendações de volume, energia, proteínas e lipídios pela terapia nutricional enteral, durante a permanência do RNPT na UTIN. Não foram observadas diferenças significativas na evolução da ingestão dietética entre os grupos. No entanto, o grupo intervenção apresentou maior volume médio de LMO nas primeiras semanas de seguimento, e maior proporção de RNPTs em transição alimentar para via oral (36,1%). Mais estudos são necessários para melhor determinar o potencial dessa abordagem na otimização da TNE de RNPTs.