Banca de DEFESA: RAISA ACACIO FRANCA COSTA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : RAISA ACACIO FRANCA COSTA
DATA : 10/03/2026
HORA: 15:30
LOCAL: Sala de Aulas GEP/MEJC
TÍTULO:

INTRODUÇÃO ALIMENTAR EM PREMATUROS: RELAÇÃO COM ALIMENTAÇÃO MATERNA


PALAVRAS-CHAVES:

Consumo Alimentar, Prematuridade, Alimentação Complementar


PÁGINAS: 67
RESUMO:

Introdução: Os hábitos alimentares maternos desempenham um papel fundamental na formação do padrão alimentar infantil, atuando como um modulador direto da qualidade e da variedade dos alimentos ofertados durante a fase de alimentação complementar. Esta influência torna-se ainda mais crítica em contextos de maior vulnerabilidade, como na prematuridade, onde as particularidades do desenvolvimento e os desafios inerentes à condição podem dificultar a introdução adequada de novos alimentos. A combinação de práticas alimentares maternas inadequadas com as complexidades da prematuridade pode predispor a criança a um padrão alimentar indesejável, com repercussões em curto e longo prazo. A introdução alimentar precoce ou inadequada está associada a um risco aumentado de diversas condições de saúde, como alergias alimentares, doença celíaca e obesidade infantil. No entanto, estudos que investiguem de forma específica a relação entre o consumo alimentar da mãe e as práticas de introdução alimentar de bebês pré-termos ainda são escassos, destacando a necessidade de mais pesquisas nesta área. Objetivo: Analisar a influência do consumo alimentar materno nas práticas de introdução alimentar de bebês nascidos pré-termo. Metodologia: Realizou-se um estudo observacional, transversal e analítico com binômios mãe-bebê, sendo os bebês nascidos pré-termo e atendidos no ambulatório de seguimento da Maternidade Escola Januário Cicco. Foram coletados dados socioeconômicos maternos (renda, escolaridade, situação conjugal) e dados das crianças (antropométricos e indicadores de práticas alimentares conforme diretrizes da Organização Mundial Das Nacões Unidas). A avaliação da alimentação do binômio foi realizada por meio de recordatórios alimentares de 24 horas. Para análise estatística, adotou-se um nível de significância de p < 0,05. As análises incluíram estatística descritiva, teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov e análises inferenciais para investigar a relação entre o consumo alimentar materno (variável independente) e as práticas de introdução alimentar infantil (variável dependente). Utilizou-se o teste qui-quadrado para associações, o teste Kappa para avaliar concordância e regressões logísticas bivariadas, ajustadas por covariáveis, para identificar preditores maternos dos desfechos infantis. A avaliação nutricional baseou-se na análise dos recordatórios com o auxílio da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA) e das Dietary Reference Intakes (DRIs), empregando-se o Multiple Source Method (MSM) para estimar o consumo habitual de nutrientes. Resultados: A amostra final foi composta por 83 binômios mãe-bebê. A mediana de idade das crianças foi de 13 meses. Verificou-se que 22% da população teve introdução alimentar considerada precoce (antes dos 6 meses de idade corrigida) e 88% das crianças foi amamentada em algum período da vida. Em relação à qualidade da alimentação complementar, um dado preocupante foi que 66,2% das crianças consumiam algum tipo de alimento não saudável. Contudo, um aspecto positivo observado foi que 92% das crianças consumiam frutas ou vegetais. A análise da alimentação materna revelou um perfil de consumo com importantes deficiências: a maioria das mães reportou a presença de bebidas açucaradas e de alimentos classificados como não saudáveis em seus recordatórios. Além disso, foram identificadas elevadas prevalências de inadequação na ingestão de micronutrientes essenciais, tais como vitaminas D, E, A e B6, além de cálcio e selênio. A análise estatística mostrou uma associação significativa entre o consumo de alimentos não saudáveis pela mãe e pela criança (p = 0,028) e, igualmente, entre o consumo de frutas e verduras pela mãe e pela criança (p = 0,004). A regressão logística binária demonstrou que o consumo de alimentos não saudáveis pela mãe, após ajuste pela variável escolaridade materna, foi um preditor significativo para o consumo desses mesmos alimentos pela criança. Considerações Finais: O estudo evidenciou uma clara associação entre as práticas alimentares maternas e as dos seus bebês nascidos prematuramente, ressaltando o impacto da escolaridade materna nessa dinâmica. A alta prevalência de inadequação na ingestão de micronutrientes essenciais pelas mães é um achado preocupante, dado o impacto potencial da nutrição materna sobre a saúde da criança, seja por meio da amamentação, seja pelo papel modelador dos hábitos familiares. Os resultados reforçam a importância crucial do desenvolvimento e implementação de estratégias de educação alimentar e nutricional direcionadas às mães de prematuros. Tais intervenções devem ter um foco abrangente, promovendo não apenas a adequação qualitativa da dieta infantil, mas também a adoção de escolhas alimentares saudáveis por toda a família, visando à melhoria do estado nutricional e à prevenção de agravos à saúde a curto e longo prazo.


MEMBROS DA BANCA:
Externa ao Programa - 1837366 - DANIELLE SOARES BEZERRA - nullExterna à Instituição - JOSIANE STELUTI - UNIFESP
Interna - 2578592 - KARLA DANIELLY DA SILVA RIBEIRO RODRIGUES
Presidente - 2315640 - MARCIA MARILIA GOMES DANTAS LOPES

Notícia cadastrada em: 25/02/2026 13:04
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