Valorização do resíduo de cajá (Spondias mombin L.) para produção de bioprodutos funcionais e desenvolvimento de micropartículas simbióticas
Resíduo, Antioxidantes, Pré-tratamento, Etanol, Alimentos Funcionais, Probiótico, Prebiótico, Encapsulação, Taperebá, Xilo-oligossacarídeos.
Resíduos agroindustriais são fonte de inúmeros compostos bioativos, como fenólicos ou prebióticos funcionais como os xilo-oligossacarídeos (XOS), que podem ser utilizados por bactérias probióticas, proporcionando diversos benefícios à saúde dos consumidores. No entanto, estes resíduos são frequentemente descartados logo após o processamento, causando problemas ambientais e perdas econômicas. É o caso do cajá (Spondias mombin L.), onde cerca de 50% dos constituintes são considerados resíduos e são eliminados após o beneficiamento. Neste contexto, a integração desses bioativos em matrizes encapsulantes cria um sistema simbiótico ideal, capaz de proteger e garantir a sobrevivência de bactérias probióticas contra diversos fatores. O presente estudo teve como objetivo valorizar o resíduo de cajá através da extração de compostos bioativos para o desenvolvimento de micropartículas simbióticas que garantam a viabilidade do probiótico L. rhamnosus GG. Por meio de processos de extração hidrotérmica, hidroetanólica e etapas de adsorção em resina, foi possível obter XOS com rendimento de 4,0 g/L, com predominância de xilotetraose (X4) e compostos fenólicos diversos, como catequina (19,383 mg/100 g), ácido gálico (2,863 mg/100 g) e ácido ferúlico (1,080 mg/100 g), com segurança biológica confirmada em ensaios de toxicidade. Além disso, a reutilização do material sólido permitiu a produção de bioetanol (30,32 g/L) após pré- tratamento alcalino, aumentando assim o teor de celulose e a liberação de açúcares durante a hidrólise enzimática e fermentação. Para proteger e controlar a liberação desses compostos funcionais e preservar a sobrevivência de L. rhamnosus GG, foram desenvolvidas micropartículas prebióticas (ricas em XOS), probióticas e simbióticas (que integraram ambos os insumos funcionais). De modo geral, as micropartículas apresentaram diâmetros entre 4,03 e 4,64 μm, com aspectos morfológicos ideais e estabilidade moderada. Todavia, as micropartículas simbióticas destacaram-se pela alta eficiência de encapsulamento (83,85%) e viabilidade celular de 12,33 Log UFC/g, superando a formulação probiótica isolada. Tais partículas demostraram elevada capacidade antioxidante contra os radicais DPPH e ABTS, boa atividade antibacteriana contra patógenos distintos e propriedades antidiabéticas pela inibição das enzimas α-amilase (até 86,25%). Por fim, a microencapsulação garantiu a sobrevivência da cepa em condições críticas, mantendo viabilidades elevadas após digestão gastrointestinal simulada (10,61 Log UFC/g) e tratamentos térmicos de 63 °C e 73 °C, consolidando o uso de resíduos de cajá na produção de produtos funcionais de alto valor agregado.