CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE ESPACIAL E AVALIAÇÃO DOS POSSÍVEIS MODOS DE FALHA DO SATÉLITE IS-33E EM ÓRBITA GEO
Clima espacial, tempestades geomagnéticas, elétrons relativísticos, charging
interno, satélites geoestacionários, cinturão de radiação de Van Allen, Espiral de Parker.
Este trabalho investiga a possível relação entre o ambiente espacial e a falha catastrófica do
satélite geoestacionário IntelSat-33e (IS-33e), ocorrida em 19 de outubro de 2024 e responsável
pela geração de aproximadamente 500 fragmentos na órbita GEO. Dado que o evento coincidiu
com um período de intensa atividade solar no Ciclo Solar 25, a pesquisa busca caracterizar o
ambiente geoespacial antes, durante e após a anomalia, com ênfase na análise de processos de
internal charging como mecanismo plausível de falha. Para isso, são avaliados índices
geomagnéticos (Dst, SYM-H e Kp), parâmetros interplanetários provenientes do conjunto de
dados OMNI (IMF Bz, velocidade e pressão dinâmica do vento solar) e fluxos de elétrons
relativísticos (>2 MeV) medidos pelo satélite GOES-16. A metodologia inclui o uso do modelo
de espiral de Parker para estimar a longitude heliográfica de origem das CMEs associadas às
tempestades geomagnéticas, além de análises temporais e comparativas visando correlacionar
distúrbios solares, resposta magnetosférica e variações no cinturão externo de Van Allen. Os
resultados preliminares identificaram duas tempestades geomagnéticas intensas, em 6 e 10–11
de outubro de 2024, acompanhadas por um aumento sustentado no fluxo de elétrons
relativísticos por mais de cinco dias, com valores superiores à climatologia típica da órbita
GEO. A continuidade do estudo prevê a aplicação das metodologias FMEA/FMECA (ECSS-
Q-ST-30-02C) e Análise da Árvore de Falhas – FTA (IEC 61025 / ECSS-Q-ST-40-12C), a fim
de investigar sistematicamente os modos de falha potencialmente relacionados ao ambiente
espacial. Espera-se que os resultados contribuam para um diagnóstico técnico preliminar da
falha do IS-33e e reforcem a importância de estratégias de mitigação, endurecimento radiativo
e monitoramento contínuo do clima espacial para a segurança e confiabilidade de futuras
missões em órbita geoestacionária.