Diagnóstico audiológico em lactentes com citomegalovírus congênito nos seis primeiros meses de vida
audição; citomegalovírus; potencial evocado auditivo de tronco encefálico; lactentes.
O citomegalovírus congênito (CMVc) é considerado o principal indicador de risco
para perda auditiva sensorioneural entre as infecções congênitas. Esta dissertação é composta por dois
estudos. O Artigo 1 tem como objetivo mapear e caracterizar os procedimentos utilizados no diagnóstico
audiológico de lactentes até 24 meses de idade, descrevendo a ordem de realização dos exames nos serviços
especializados. O Artigo 2 busca investigar a integridade neurofisiológica da via auditiva periférica e central
de lactentes com CMVc. Método: O Artigo 1 corresponde a uma revisão de escopo em andamento,
conduzida nas bases PubMed, Web of Science, LILACS, SciELO, Embase, Scopus, Google Scholar e
ProQuest Dissertations and Theses (PQDT), com a pergunta: “Existe consenso quanto aos procedimentos
realizados no diagnóstico audiológico de lactentes de 0 a 24 meses?”. O Artigo 2 consiste em um estudo transversal, observacional e prospectivo, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital
Universitário Onofre Lopes (no 7.190.153). Foram recrutados até o momento 256 lactentes em uma
maternidade pública de Natal. Os participantes foram divididos em três grupos: G1 (CMVc, PCR de urina
positivo até 21 dias), G2 (CMV perinatal provável, PCR positivo após 21 dias) e G3 (controle, PCR
negativo). Todos os bebês realizaram emissões otoacústicas evocadas por estímulo transiente (EOAT),
timpanometria, Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) com clique e frequência
específica, além de avaliação comportamental (sons de Ling, atenção, localização sonora e reflexo
cócleo-palpebral). Resultados parciais: A revisão de escopo encontra-se em fase de finalização do protocolo
e registro. No Artigo 2, foram incluídos até o momento 19 lactentes (G1 = 5; G2 = 5; G3 = 9), com idade de
1 a 6 meses (34.8 ±0.855). No G1, três (60%) apresentaram EOAT ausentes em pelo menos uma banda de
frequência; um (20%) não realizou o exame e outro (20%) obteve EOAT presentes bilateralmente. Todos
tiveram timpanometria com pico positivo bilateral. No PEATE-clique a 70 dB, observou-se resposta das
ondas I, III e V com latências e interpicos dentro da normalidade. No PEATE-FE (500, 2000 e 4000 Hz),
quatro lactentes (80%) apresentaram limiares normais, enquanto um (20%) mostrou alteração condutiva em
500 Hz (VA = 45 dB , VO = 20 dB nNA). No G2, três lactentes (60%) apresentaram EOAT ausentes em pelo
menos uma banda de frequência, enquanto dois (40%) tiveram EOAT presentes bilateralmente. No
PEATE-clique, todos exibiram ondas I, III e V com latências normais, e no PEATE-FE todos apresentaram
limiares normais nas três frequências testadas. Os dados do grupo controle (G3) ainda estão em análise.
Conclusão: Nestes resultados parciais não foram diagnosticadas perdas auditivas sensorioneurais nos
lactentes com CMV. Entretanto, a ocorrência frequente de EOAT ausentes em pelo menos uma banda de
frequência em ambos os grupos reforça a necessidade de monitoramento audiológico contínuo, considerando
o risco de alterações auditivas tardias ou progressivas associadas ao CMV.