DISFUNÇÃO VESTIBULAR E ALTERAÇÕES POSTURAIS NA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA COM CITOMEGALOVÍRUS CONGÊNITO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
citomegalovírus; infecção por citomegalovírus; doenças vestibulares; equilíbrio postural; tontura.
O citomegalovírus congênito (CMVc) é considerado a etiologia mais comum de infecção congênita e possui como principal sequela a perda auditiva sensorioneural. Ao considerar a prevalência da perda auditiva sensorioneural nessa população e a proximidade anatômica dos órgãos cocleares e vestibulares na orelha interna, distúrbios vestibulares também podem ocorrer nas crianças afetadas pelo CMVc. Essa pesquisa teve como objetivo verificar a presença de alterações vestibulares e distúrbios do equilíbrio postural na população pediátrica com CMVc. Trata-se de uma revisão sistemática conduzida e relatada de acordo com o PRISMA e registrada no International prospective register of systematic reviews - PROSPERO, com a inscrição CRD42024549387. Foram pesquisadas cinco bases de dados eletrônicas (Embase, LILACS, PubMed/MEDLINE, Scopus e Web of Science), além da literatura cinzenta (Google Acadêmico e ProQuest Dissertations and Theses). Foram utilizados como critérios de inclusão: estudos realizados na população na população infantil de 0 a 12 anos, com diagnóstico de CMVc, realizado por meio de amostras de urina ou saliva nos primeiros 21 dias de vida, amostras de sangue neonatal, testes sorológicos ou testes moleculares; artigos que abordassem a avaliação da função vestibular e do equilíbrio corporal e, que comparassem grupos sintomáticos com assintomáticos e/ou com crianças saudáveis. Realizou- se uma meta-análise para estimar a associação entre alterações vestibulares e citomegalovírus, bem como a proporção combinada dessas alterações. Utilizou-se um modelo de efeitos aleatórios e realizaram-se análises de subgrupos, conforme a presença de sintomatologia. O risco de viés foi avaliado por meio da Lista de Verificação de Avaliação Crítica do Joanna Briggs Institute, e a certeza da evidência, pela ferramenta GRADE. Foram selecionados somente artigos provenientes de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais. A busca nas bases de dados resultou na identificação de 2.840 estudos e, posteriormente, oito artigos observacionais foram considerados elegíveis para a síntese qualitativa. Todos os artigos incluídos relataram alterações vestibulares e/ou do equilíbrio corporal no grupo com CMVc. A meta-análise indicou um risco aproximadamente dez vezes maior de manifestação de alterações vestibulares nesse grupo em comparação ao grupo controle (IC95%: 2,42–40,29). A análise do risco de viés identificou que a maior parte dos estudos eram de qualidade moderada/alta. A certeza da evidência foi considerada muito baixa de acordo com a ferramenta GRADE. Além disso, houve maior frequência de alterações em crianças com CMVc sintomático do que assintomático. Dentre os estudos incluídos, 50% eram estudos de coorte e 50% de caso controle; 100% foram publicados no idioma inglês; o tamanho da amostra variou de 24 a 185 crianças com CMVc, com idade entre zero e 11 anos. Os exames mais utilizados foram o VEMP e vHIT. Conclui-se que existe um risco aproximadamente dez vezes maior de crianças com CMVc apresentarem alterações vestibulares, em comparação ao grupo controle. Além disso, a estimativa da proporção combinada de alterações vestibulares foi mais elevada nos indivíduos sintomáticos. Do mesmo modo, as crianças com CMVc sintomático apresentaram maiores índices de alteração nas tarefas de equilíbrio postural, em comparação aos grupos com CMVc assintomático e grupo controle, nos estudos incluídos.