Banca de QUALIFICAÇÃO: JULYA ANGELICA RODRIGUES DA SILVA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JULYA ANGELICA RODRIGUES DA SILVA
DATA : 30/09/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Plataforma Google Meet
TÍTULO:

Características da fala de indivíduos com dificuldades de aprendizagem


PALAVRAS-CHAVES:

Erros Residuais de Fala, Percentual de Consoantes Corretas, Transtorno da Produção dos Sons da Fala, Fala, Aprendizagem


PÁGINAS: 30
RESUMO:

Introdução: A aquisição dos sons da fala envolve o desenvolvimento gradual de habilidades relacionadas à
percepção, produção e organização fonológica, processo que ocorre, de maneira progressiva, desde o
nascimento até aproximadamente os cinco anos de idade. Durante esse processo, é comum que as crianças
apresentem erros na produção de determinados sons da língua, os quais tendem a ser superados
progressivamente por meio da maturação das habilidades fonológicas, à medida que o repertório fonêmico se
amplia. Quando há persistência de erros na produção das consoantes após os oito anos de idade, sugere-se um  quadro de Erros Residuais de Fala (ERF), decorrente de alterações fonológicas não superadas espontaneamente com a maturação natural da criança. Embora exista uma forte correspondência entre fala e escrita no português brasileiro, as irregularidades da língua, como a presença de letras diferentes que representam um mesmo som ou mais de uma letra para representar um único som, podem se tornar um desafio para o processo de aquisição da leitura dos indivíduos. Diante dessa complexidade, diferentes hipóteses têm sido propostas na literatura para explicar a relação entre dificuldades de produção de sons da fala e desempenho em leitura e escrita. Contudo, não foram identificados estudos que analisassem simultaneamente a relação entre sexo, idade, presença de processos fonológicos e gravidade das alterações de fala, medida por meio do Percentual de Consoantes Corretas Revisado (PCC-R), em indivíduos com dificuldades de aprendizagem. Objetivo: Caracterizar o perfil fonológico de sujeitos com dificuldades de aprendizagem, a fim de descrever os achados e verificar se há associação entre sexo, idade, presença de processos fonológicos e gravidade das alterações de fala (PCC-R). Método: A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes (CEP/HUOL) da UFRN, sob parecer no 7.826.412. Trata-se de um estudo observacional transversal, com análise de dados secundários provenientes de banco de dados do Laboratório de Linguagem e Escrita, Interdisciplinaridade e Aprendizagem (LEIA/UFRN). Foram adotados como critérios de inclusão: presença das provas do Teste de Linguagem Infantil (ABFW) (Wertzner, 2023) com dados completos e legíveis e aceite do TCLE pelos responsáveis. A amostra é de conveniência, obtida por meio da análise de avaliações de fonologia realizadas em pesquisas anteriores no laboratório referido. Inicialmente, foi realizada uma triagem dos 99 prontuários disponíveis, de pacientes que possiam vinculo ativo com o laboratório, a fim de verificar quais possuíam as avaliações de fonologia para inclusão no estudo, sendo identificados 53 prontuários elegíveis. Os pacientes foram contatados via WhatsApp e convidados a participar da pesquisa, sendo a participação formalizada mediante a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos responsáveis. Desse total, dois recusaram e 13 não atenderam aos critérios de inclusão. Vale salientar que, embora já possuíssem TCLE assinado e já tivessem dados coletados no laboratório, foi necessário solicitar uma nova autorização aos responsáveis por se tratar de um novo estudo, fornecendo-lhes informações sobre os objetivos propostos, procedimentos, riscos e benefícios da pesquisa. Resultados: Participaram do estudo 38 indivíduos, sendo 42,1% do sexo feminino e 57,9% do sexo masculino, com média de idade de 10,2 anos (DP = 2,46), todos com dificuldades de aprendizagem. Quanto à presença de alteração na fala, observou-se que 44,7% dos participantes apresentaram alteração, enquanto 55,3% apresentaram. Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos com e sem alteração de fala em relação a idade e sexo. Entre os participantes com alteração de fala, predominou o nível leve (82,4%), seguido por nível moderadamente grave (11,8%) e nível levemente moderado (5,9%), sem ocorrência de nível grave. Os processos fonológicos mais frequentes encontrados foram a Simplificação de Encontro Consonantal (31,1%) e a Simplificação de Líquidas (24,4%), achados compatíveis com a ocorrência de ERF considerando a faixa etária da amostra. Impacto social: Os achados contribuem para compreensão das características de fala de sujeitos com dificuldades de aprendizagem, evidenciando que a presença de dificuldades de aprendizagem não implica, necessariamente, presença de alterações de fala.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ANA BEATRIZ LEITE DOS ANJOS - F.M.Nassau
Interna - 2143029 - CINTIA ALVES SALGADO AZONI
Presidente - 2360456 - VANESSA GIACCHINI
Notícia cadastrada em: 08/09/2026 16:01
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