Diagnóstico audiológico em lactentes com citomegalovírus congênito nos seis primeiros meses de vida
audição; citomegalovírus; potencial evocado auditivo de tronco encefálico; lactentes.
O citomegalovírus congênito (CMVc) é considerado o principal indicador de risco para perda auditiva sensorioneural entre as infecções congênitas. Esta dissertação é composta por dois estudos. O Artigo 1 teve como objetivo mapear e caracterizar os procedimentos audiológicos e sua ordem de execução no diagnóstico de lactentes até 24 meses de vida. O Artigo 2 investigou a
função da orelha média e coclear, a integridade neurofisiológica da via auditiva até o tronco encefálico
e estimou limiares auditivos por meio de medidas eletrofisiológicas e comportamentais em lactentes
com CMVc. Método: No Artigo 1, a busca foi realizada na base Medline e nas bases Web of Science,
LILACS, SciELO, Embase, Scopus, CINAHL, Google Scholar e ProQuest Dissertations and Theses
(PQDT), com a pergunta: “Existe consenso quanto aos procedimentos realizados no diagnóstico
audiológico de lactentes de 0 a 24 meses?”. O Artigo 2 consistiu em estudo observacional e transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Onofre Lopes (no
7.190.153). Foram recrutados 314 lactentes em duas maternidades públicas de Natal. Os participantes
foram divididos em dois grupos: G1 (CMVc, PCR de urina positivo até 21 dias) e G2 (CMV perinatal
provável, PCR positivo após 21 dias). Todos realizaram emissões otoacústicas evocadas por estímulo
transiente (EOAT), timpanometria, Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico com clique
(PEATE-clique) e frequência específica (PEATE-FE), além de avaliação comportamental (sons de
Ling, atenção, localização sonora e reflexo cócleo-palpebral). Resultados: Na revisão, as buscas
realizadas em 17/01/2026 identificaram 6.983 artigos, sendo seis incluídos na redação final. No Artigo
2, foram avaliados 12 lactentes (G1 = 6; G2 = 6), com idades entre 2 e 6 meses. No G1, dois (33,3%)
apresentaram EOAT ausentes em pelo menos uma banda de frequência, um (16,7%) não realizou o
exame e três (50%) apresentaram EOAT presentes bilateralmente. Um lactente apresentou timpanometria com pico negativo bilateral. No PEATE-clique a 70 dB, observaram-se ondas I, III e V
com latências e interpicos dentro da normalidade. No PEATE-FE (500, 2000 e 4000 Hz), quatro
lactentes (66,7%) apresentaram limiares eletrofisiológicos normais e dois (33,3%) apresentaram
alteração condutiva em 500 Hz (VA = 45 dB; VO = 20 dB nNA). No G2, quatro lactentes (66,7%)
apresentaram EOAT ausentes em pelo menos uma banda de frequência e dois (33,3%) EOAT
presentes bilateralmente. No PEATE-clique, todos apresentaram ondas I, III e V com latências den ro
da normalidade, e no PEATE-FE limiares normais em todas as frequências avaliadas. Conclusão: Os
achados da revisão indicam que o diagnóstico audiológico em lactentes até 24 meses pode seguir a
sequência: timpanometria, EOAT, PEATE-clique e PEATE-FE por via aérea e óssea nas frequências
de 500, 1000, 2000 e 4000 Hz. No Artigo 2, nenhum lactente com CMV apresentou perda auditiva
sensorioneural no momento da avaliação. Entretanto, a ocorrência frequente de EOAT ausentes em
pelo menos uma banda de frequência em ambos os grupos reforça a necessidade de monitoramento
audiológico contínuo, considerando o risco de alterações auditivas tardias ou progressivas associadas
ao CMV.