Codificação neural de sons de fala em lactentes com Citomegalovírus Congênito e adultos normo-ouvintes
audição; eletrofisiologia; lactentes; citomegalovírus; adulto; percepção da fala.
Esta dissertação teve como objetivo comparar o padrão neural de decodificação de fala em adultos normo-ouvintes em diferentes condições de apresentação de estímulos acústicos e investigar a influência do citomegalovírus (CMV) na resposta neural ao estímulo de fala em lactentes. Trata-se de dois estudos transversais, prospectivos e observacionais. No Estudo 1, aprovado sob n.º 5.685.328, participaram 28 adultos normo-ouvintes (19 mulheres), todos com Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes presentes, recebendo os estímulos /da/ (170 ms, orelha direita) e /dao/ (apresentação binaural e monoaural em OD e OE). No Estudo 2, aprovado n.º 7.190.153, foram recrutados 256 lactentes, dos quais 142 tiveram coleta de urina para PCR de CMV; 23 foram positivos, sendo incluídos na amostra final quatro lactentes com CMVc, quatro com CMV perinatal e quatro controles. A avaliação audiológica incluiu Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Encefálico com clique, frequência específica e EOAT. Em ambos os estudos, os dados do FFR foram analisados nos domínios do tempo e da frequência, utilizando teste Kruskal-Wallis com 5% de nível de significância. No Estudo 1, o estímulo /da/ resultou em atraso neural médio de 9,34 ms (±2,67), correlação cruzada baixa (0,124 ±0,0291), força de codificação do pitch elevada (0,843 ±0,133) e erro de pitch de 2,99 Hz (±1,20), com amplitude espectral da F0 (0,085 ±0,0780) semelhante à dos harmônicos médios (0,099 ±0,0710), ambas superiores aos harmônicos altos (0,028 ±0,0212). Na comparação entre condições de apresentação do estímulo /dao/, a F0 foi maior na condição binaural em segmentos específicos, mas sem diferença no total; SNR e neural lag não variaram, a correlação cruzada foi maior na OE que na binaural e a codificação do pitch foi mais fraca na OD. Comparando estímulos, /dao/ produziu respostas mais rápidas (neural lag = 8,38 ms) e amplitudes mais robustas em harmônicos médios e altos do que /da/. No Estudo 2, não houve diferenças entre grupos (controle, CMVc e CMV perinatal) em RMS pré-estímulo, neural lag, correlação cruzada, SNR, pitch ou amplitudes da F0, embora no segmento /d/ tenha-se observado maior amplitude dos harmônicos altos no grupo CMV perinatal, sem significância robusta em comparações múltiplas. Em conclusão, em adultos normo-ouvintes, o FFR demonstrou codificação robusta da F0 e dos harmônicos médios, menor estabilidade para harmônicos altos e diferenças sutis relacionadas à condição de apresentação e ao tipo de estímulo, com destaque para respostas mais rápidas e espectralmente mais robustas ao estímulo /dao/, enquanto em lactentes, a presença de CMV congênito não comprometeu as medidas globais do FFR nos primeiros meses de vida, embora haja indícios de modulação diferenciada na codificação dos harmônicos altos nos casos de CMV perinatal, reforçando o potencial do FFR como ferramenta de investigação clínica e indicando a necessidade de estudos com maior amostra e seguimento longitudinal para compreender as implicações do CMV no neurodesenvolvimento da via auditiva.