TECNOLOGIA MÓVEL PARA PACIENTES ADULTOS NO PÓS-TRANSPLANTE RENAL: DESENVOLVIMENTO DE UM CONTEÚDO EDUCATIVO DIGITAL
Transplante Renal; Educação em Saúde; Aplicativos Móveis; Enfermagem; Tecnologia Educacional.
Introdução: O transplante renal exige adesão rigorosa à terapia imunossupressora e práticas efetivas de autocuidado. No entanto, lacunas na compreensão das orientações pós-operatórias comprometem os desfechos clínicos e elevam as taxas de reinternação, evidenciando a necessidade de estratégias educativas digitais acessíveis. Objetivo: Desenvolver um protótipo de aplicativo móvel como recurso educativo digital voltado a pacientes adultos no pós-transplante renal, visando fortalecer o autocuidado e a adesão ao tratamento. Método: Estudo metodológico guiado pelo referencial do Design Science Research (DSR). A fase diagnóstica incluiu a aplicação do instrumento Kidney Transplant Understanding Tool (K-TUT-Br) com 15 pacientes em um hospital universitário. O desenvolvimento do artefato foi fundamentado na Teoria do Déficit de Autocuidado de Dorothea Orem, em duas revisões de escopo e nos preceitos de humanização do Marketing 4.0. Resultados: O perfil da amostra revelou predomínio de homens (60%), idade superior a 45 anos (60%) e baixo letramento em saúde (33,33%). Identificou-se diferença estatística significativa no conhecimento (p=0,029) conforme o tempo de transplante, com maiores lacunas em pacientes recentes sobre monitoramento de creatinina e papel da equipe multiprofissional. A partir desses requisitos, desenvolveu-se o aplicativo Guardião Renal (GR) e sua mascote tridimensional, Rina — nome derivado por associação fonética ao termo "Rins". O protótipo de alta fidelidade foi materializado na plataforma no-code Bubble.io, apresentando 25 telas responsivas, vídeos educativos e interface otimizada por assessoria técnica de design. A integração de um mascote carismático e de uma estética cartoon buscou reduzir a frieza tecnológica, promovendo conexão afetiva e comprometimento. O GR atua como um mediador entre a evidência científica e a prática de autocuidado domiciliar. Conclusão: O desenvolvimento do GR consolidou uma base tecnológica inovadora e sólida. O estudo demonstra que a convergência entre enfermagem, design e inteligência artificial é capaz de produzir ferramentas humanizadas que empoderam o paciente e qualificam a assistência na saúde digital brasileira.