USO ESTRATEGICO DE INDICADORES DE SAÚDE NO PLANEJAMENTO DO SUS: PROPOSTA DE UM GUIA DIDATICO PARA GESTÃO, AUDITORIA E CONTROLE SOCIAL.
Indicadores de Saúde, Planejamento em Saúde, Avaliação em Saúde, Auditoria Admistrativa, Sistemas de Informação em Saúde, Sistema Único de Saúde
O SUS organiza sua gestão a partir de um ciclo integrado de planejamento, execução e monitoramento. Apesar da robustez normativa, persistem desafios relacionados à fragmentação dos sistemas de informação e o elevado volume de dados reportados no sistema DigiSUS que limitam uma gestão baseada em evidências. Diante desse cenário, os indicadores de saúde incorporam-se como ferramentas estratégicas para monitorar a efetividade da gestão. Este estudo objetivou desenvolver um guia didático direcionado ao fortalecimento das capacidades analíticas de gestores, auditores e conselheiros de saúde para o uso estratégico de indicadores de saúde pactuado nos instrumentos de planejamento, tendo o indicador de cobertura de mamografia de rastreamento como objeto de análise. Trata-se de um estudo de natureza aplicada, com abordagem descritiva-exploratória, fundamentado na análise documental dos instrumentos de planejamento (Plano Municipal de Saúde, Programação Anual de Saúde, Relatórios Detalhados do Quadrimestre Anterior e Relatório Anual de Gestão) de 55 municípios da Região de Saúde de Sobral (CE) no período de 2022–2025. Os resultados evidenciaram fragilidades relacionadas à sobrecarga de indicadores pactuados, ausência de padronização na unidade de medida, distorções e lacunas de registros bem como limitações operacionais do sistema, especialmente quanto à impossibilidade de desagregação de dados para cálculo específico do indicador em tese. Observou-se ainda, predomínio de monitoramento de caráter formal, com baixa incorporação de análises interpretativas nos relatórios, comprometendo a fidedignidade dos indicadores e a tomada de decisão. Como produtos, apresentam-se a planilha que serviu como banco de dados; relatório da análise situacional da Região Norte/Sobral e o guia técnico-didático, estruturado para ampliar a análise dos indicadores e mitigar distorções que expõem as metas a riscos no SUS, fortalecendo assim a transparência e a cultura de monitoramento. A pesquisa alinha-se à Agenda 2030, atendendo a problemas sistêmicos descritos na ODS 17 (Dados, monitoramento e prestação de contas), o qual preconiza o fortalecimento das capacidades institucionais para a produção de informações oportunas e fidedignas que, em última instância, visam garantir a equidade e a efetividade do direito à saúde (ODS 3).