Banca de QUALIFICAÇÃO: ANTONIO LOUREIRO DA SILVA NETO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANTONIO LOUREIRO DA SILVA NETO
DATA : 14/10/2020
HORA: 16:00
LOCAL: DEFESA EM FORMATO REMOTO
TÍTULO:

ANÁLISE ARGUMENTATIVA DO DISCURSO ACADÊMICO A PARTIR DE REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS DA LITERATURA DE CORDEL EM DISSERTAÇÕES DE MESTRADO


PALAVRAS-CHAVES:

Cordel. Representação Discursiva. Pesquisador. Argumentação


PÁGINAS: 187
RESUMO:

A literatura de cordel, conhecida também no Brasil como literatura de folhetos nordestina, dentre outras denominações que lhe dão, é objeto do discurso acadêmico materializado em artigos, dissertações de mestrado e teses de doutorado, mostrando que essa forma poética, tida como popular, com seus valores, demandas, características e história, continua sendo produzida e estudada em um número significativo de pesquisas universitárias. Em tais pesquisas, emergem diversas representações discursivas sobre o cordel tornando-o conhecido desta ou daquela maneira. Na construção ou reforço de tais representações, surgem diversos argumentos com o quais os pesquisadores visam defender, contradizer ou reforçar pontos de vista em relação a essa forma de arte. Assim sendo, nesta tese de doutorado, resolvemos analisar esse tipo de discurso acerca da literatura de cordel em nível de mestrado dando ênfase aos mecanismos de persuasão utilizados pelos pesquisadores na construção das representações discursivas desse objeto. Nesse contexto, buscamos encontrar resposta para as seguintes perguntas: a) Que expressões linguísticas no texto dos pesquisadores concorrem para a construção das representações discursivas do cordel? b) Que estratégias e mecanismos de persuasão são utilizados pelos pesquisadores na construção dessas representações discursivas? c) Que representações discursivas do cordel surgem dos textos examinados e como elas se articulam para revelar a face do cordel no discurso acadêmico? Com base no objetivo principal e nas perguntas elaboradas, estabelecemos os seguintes objetivos específicos: i) identificar os elementos linguísticos que concorrem para a formação das representações discursivas do cordel no discurso acadêmico; ii) discorrer sobre os mecanismos de persuasão utilizados pelos pesquisadores no processos de construção das representações discursivas do cordel e iii) analisar cada uma das representações discursivas resultantes do processo de investigação do do referido discurso para melhor compreender sua realidade e alcance. Nossa escolha por analisar representações discursivas e mecanismos enunciativos de persuasão do discurso acadêmico em torno do cordel deve-se ao fato de que tal discurso, propagado a partir do âmbito universitário, comporta representações discursivas muito diversas podendo influenciar nas condições futuras de escrita e na opção de um determinado pesquisador ao tratar do cordel. Nossa decisão por uma abordagem também argumentativa do corpus formado por excertos textuais retirados de 24 dissertações de mestrado, demonstra nosso interesse por elencar possíveis estratégias argumentativas e mecanismos de persuasão do discurso acadêmico e assim demonstrar sua possível força retórica em direcionar a opinião pública no que diz respeito aos valores do cordel. Para tanto, reunimos para análise 65 excertos textuais representativos do objeto cordel com os quais compusemos 13 grupos de representações em que tentamos identificar as estratégias argumentativas e os mecanismos de persuasão aí utilizados. Como base teórica escolhemos autores que tratam de questões literárias e linguísticas, nesse caso, estudiosos da literatura, da literatura popular e da cultura, a exemplo de Márcia Abreu (1993; 1999; 2006); Bakhtin (2017); Compagnon (2014); Eagleton (2006); Certeau (1995); Luciano (2012); Oliveira, (2012); Cascudo (1953) etc., autores pertencentes ao quadro do discurso retórico/argumentativo como Aristóteles (2005; 2016), Perelman & Tyteca (2005) Reboul (2000), Fiorin (2015) e outros. Foi preciso ainda que nos apoiássemos nos conceitos de mecanismo enunciativo-pragmático oriundos de Bronkart (1999) e Ducrot (1972), dentre outros, e nas elaborações de Silva (2015) e Bezerril at al (2015), no que toca às representações discursivas. Os resultados preliminares indicam que o discurso acadêmico descreve o cordel, quase sempre, como uma arte poética de cunho popular que se renova e sobre a qual incidem diversos olhares nem sempre favoráveis. Os pesquisadores revelam inúmeras possibilidades de análise ao tema considerando-o ora como instrumento de reivindicação social e política, ora como veículo de transmissão de valores favoráveis à classe dominante, já que ele parece, em certos casos, omite-se em relação às injustiças sociais, beneficiando até mesmo uma mentalidade machista, racista ou misógina. No entanto, há quem o defenda por suas qualidades intrínsecas de resistência aos modelos intelectuais em vigor valorizando sua capacidade de influenciar a literatura erudita, o cinema e a televisão. Para tanto, estes relembram a genuinidade, a flexibilidade temática, o ritmo, a sonoridade, a brevidade, a elegante singeleza e a força atrativa dos poemas de cordel. É, pois, a partir desse caldo de impressões, que os pesquisadores universitários, e mesmos os poetas e leitores, parecem construir determinadas representações discursivas do cordel. As análises também revelam diversas expressões e palavras por meio das quais os pesquisadores constroem e reforçaram opiniões acerca de uma determinada representação discursiva Quanto à argumentação dos pesquisadores, pudemos perceber, no discurso, certa semelhança nos modos de proceder argumentivamente. Tal fato se verifica na escolha dos acordos com o auditório imaginado, nas estratégias e nos movimentos argumentativos de concordância em geral. Análogo processo se dá também quanto aos mecanismos enunciativos pragmáticos, entretanto, no tocante à defesa de algumas dessas representações discursivas, os pesquisadores parecem menos incisivos naquilo que defendem admitindo olhares mais variados e menos assertivos, como acontece, por exemplo, nos grupos 6,8,11 e 12 analisados no capítulo quinto.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1476540 - CELLINA RODRIGUES MUNIZ
Interna - 1673309 - SULEMI FABIANO CAMPOS
Externa à Instituição - CLAUDIA REJANNE PINHEIRO GRANGEIRO - URCA
Externa à Instituição - LUCILENE SOARES DA COSTA - UEMS
Notícia cadastrada em: 08/09/2020 19:48
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