Banca de DEFESA: FELIPE MORAIS DE MELO

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : FELIPE MORAIS DE MELO
DATA : 18/05/2018
HORA: 14:00
LOCAL: AUDITÓRIO A
TÍTULO:

NAS TRILHAS DA ESCRITA: REEDIÇÃO E ANÁLISE GRAFEMÁTICA DAS CARTAS OFICIAIS NORTE-RIO-GRANDENSES (1713-1950)


PALAVRAS-CHAVES:
Linguística Histórica. Cartas oficiais norte-rio-grandenses. Teoria da Escrita. Linguística de Corpus. Grafemática.


PÁGINAS: 922
RESUMO:

Higounet (2003) afirma que a escrita está no fundamento das ciências humanas. Para uma disciplina, em especial, que integra os estudos da linguagem, a Linguística Histórica, ela é a pedra angular. Sem os registros escritos que sobreviveram ao longo da história, não haveria diacronia da língua. Ainda assim, à escrita, como objeto linguístico autônomo e não como instrumento para outro fim (historiográfico ou fonético, por exemplo), têm sido dispensados esforços bastante reduzidos entres os estudos diacrônicos no domínio lusófono, reflexo, talvez, da concepção encontrada em algumas obras linguísticas clássicas de que havia um suposto caos (orto)gráfico no português de sincronias passadas. Este trabalho pretende, portanto, contribuir com esse campo através de uma análise grafemática. Para tanto, contudo, fez-se necessário, antes, percorrer a norma escrita da língua por duas vias: a da reflexão e a da constituição. No que diz respeito à reflexão, parte-se de um repasso crítico acerca do tratamento dedicado à língua escrita nos estudos linguísticos e chega-se ao exame das principais ideias focalizadas neste estudo, sobretudo no que concerne à engrenagem da escrita na história da língua. Os autores responsáveis por esses conceitos relevantes para se pensar uma teoria que permita compreender, com a maior precisão, seu funcionamento, máxime no eixo diacrônico, são notadamente: Vachek (1989b, 1989c, 1989d) para uma teoria linguística da escrita;  Cagliari (1996, 2001, 2001b, 2001c, 2001d, 2004, 2015) para uma teoria da ortografia; Frago Gracia (2002), Sánchez-Prieto Borja (1998, 1998b, 2008) e Ramírez Luengo (2012b, 2013, 2014, 2015, 2015b) para uma teoria da (orto)grafia voltada para a Linguística Histórica. Quanto à segunda via, a da constituição, revisa-se e reedita-se um corpus diacrônico, as cartas oficiais norte-rio-grandenses (Morais de Melo, 2012), gerando-se um conjunto de aproximadamente 26.000 palavras em 129 cartas, das quais 44,18% são inéditas. Todos os documentos desta reedição foram escritos no Rio Grande do Norte entre 1713 e 1950 e serão apresentados em edição fac-símile e semidiplomática com lição justalinear. Cumpridas essas duas etapas, chega-se à análise. Examina-se o uso dos grafemas alfabéticos sem transcendência fônica nas sobreditas palavras por cada quarto de século ao longo dos 250 anos que as cartas atravessam e segundo 23 padrões de análise definidos, a exemplo do padrão {V<N>C-[<h>/(<s>#)]} para controlar o emprego de <m> ou <n> antes de consoantes e o padrão {C/V<ãe>#/<s>} para o exame das realizações grafemáticas de valor /ãj/. Um software desenvolvido para esta pesquisa rodou os 23 padrões sobre as cerca de 26.000 palavras a fim de que se pudesse verificar a existência de tendências gráficas ou, pelo contrário, confirmar o pretenso estado de caos (orto)gráfico. Os resultados obtidos dessa conjunção entre Teoria da Escrita, Linguística de Corpus e Grafemática, todas a serviço da Linguística Histórica, indicam – com base na análise dos 23 padrões aplicada às cartas oficiais norte-rio-grandenses – uma realidade gráfica no Brasil dos séculos XVIII, XIX e na primeira metade do século XX que pode ser caracterizada, em consonância com o que observa Ramírez Luengo (2012b, 2013) acerca de manuscritos coloniais hispano-americanos, pela convivência de distintos conjuntos de soluções gráficas socialmente aceitos em momentos concretos da língua, mas que, a despeito do que tradicionalmente se alega, engendraram não um estado de confusão/caos, mas uma série de preferências/tendências gráfias que vão se delineando durante as duas centúrias e meia de língua escrita examinadas e que apontam para um processo de estandardização ortográfica, ainda não concluído, contudo, até os idos de 1950, limite final do corpus em estudo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2226795 - MARIA HOZANETE ALVES DE LIMA
Externo ao Programa - 1057540 - CARLA MARIA CUNHA
Externo à Instituição - ALDIR SANTOS DE PAULA - UFAL
Externo à Instituição - MARIA DA CONCEIÇÃO CRISOSTOMO DE MEDEIROS GONÇALVES MATOS FLORES - UnP
Externo à Instituição - MARIA CRISTINA DE ASSIS - UFPB
Notícia cadastrada em: 24/04/2018 14:30
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