Banca de QUALIFICAÇÃO: CIRO SOARES DOS SANTOS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CIRO SOARES DOS SANTOS
DATA: 17/03/2016
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório A- CCHLA
TÍTULO:

O BARROCO EM ANTOLOGIAS: CAPÍTULOS PARA HISTÓRIA DA RECEPÇÃO DA POESIA DE GREGÓRIO DE MATOS


PALAVRAS-CHAVES:

Barroco - Gregório de Matos - Antologia - Teoria da Recepção


PÁGINAS: 360
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
SUBÁREA: Literatura Comparada
RESUMO:

Há muitos Gregórios de Matos e Guerra (1636-1695) em cada antologia: o católico dos poemas devocionais, religiosos; o político dos encomiásticos; o sapiencial dos morais, filosóficos; o cômico dos graciosos; o ácido dos satíricos; o tarado dos eróticos, pornográficos, profanos; o cantador dos versos de circunstâncias, das modas burlescas; o amante dos textos líricos, amorosos; o cronista das composições descritivas, consuetudinárias. O estudo "O barroco em antologias: capítulos para história da recepção da poesia de Gregório de Matos" constitui-se como reflexão sobre teoria e prática da composição de seletas poéticas a partir da recepção da obra de responsabilidade autoral do mazombo filho do rico casal advindo de família empreendedora e latifundiária, o senhor Gregório de Mattos casado com a senhora Maria Guerra. Útil à superação de discurso de silenciamento supostamente sofrido pelo espólio gregoriano por esquecimento do qual teria permanecido distante do ouvido de leitores, há um Mapa do labirinto de códices nos quais se constata a existência de trinta e quatro manuscritos, em total de quarenta e oito volumes, guardados em treze bibliotecas localizadas no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos conforme inventário testemunhal da poesia atribuída a Gregório de Matos (TOPA, 2001, p. 25). Para este momento de qualificação, mesmo com alguma limitação advinda de não ser por meio da recensio e da análise do conjunto global de seletas, uma compreensão de mostra antológica, para fins de traçar história da leitura de sua poesia, permite reflexão ontológica sobre o homem Gregório de Matos, cuja imagem autoral é instaurada na cultura brasileira por meio do trabalho de organização, editoração, apresentação e comentário em livros dessa natureza. As capas, os textos de apresentação, os prefácios, os posfácios, as notas aos poemas integrantes de antologias permitem pensar que homem foi o poeta com autoridade para ter nome capaz de etiquetar a poesia barroca identificada pelo rótulo Gregório de Matos. Amplamente difundido pela rede mundial de computadores, facilmente acessado em livros de proposição antológica em lojas de livros sejam físicas, sejam virtuais, o legado de responsabilidade autoral gregoriana tanto é irrestritamente acessado gratuitamente na Web por ser de domínio público, quanto é vendido por preços módicos quando se trata de seletas escolares, embora de preço alto em relação a outros livros de natureza semelhante quando se trata de obra rara já histórica de publicação do espólio seiscentista e quando se trata de mostra poética com estudo especializado, superada esta questão do acesso graças ao advento da Internet e à atuação das editoras. O desafio de difusão da obra gregoriana é garantir publicações de livros capazes de revelar o parodista bíblico, o intelectual de letras, o homem de gabinete, o literato de fama da origem da literatura brasileira. Essa tarefa recebe um impulso com levantamento histórico de como ocorre a difusão do legado de Gregório de Matos responsável pela instauração de sua imagem autoral no cânone de língua portuguesa. A história da leitura da obra gregoriana nega pragmatismo mecanicista do historicismo literário engendrado ao fundir história literária com história geral de modo a estaticamente cristalizar autores e obras em cânone firmado segundo critérios relacionados com condições históricas determinadas de modo estanque. Mesmo frente às compreensões de Jauss, e em consonância com elas, de que o leitor desempenha papel ativo na recepção literária e de que a literatura guarda autonomia frente ao esquema de produção-reprodução-circulação de produtos para o mercado; é possível pensar antologias como objetos mercadológicos com interferência potencial sobre a leitura literária. O desenvolvimento deste estudo enfrenta a problemática de discutir os dois postulados da teoria de Jauss para a leitura poética ao adotá-los como válidos na busca por levantar uma história de leitura segundo investigação de seletas. No capítulo 1, sobre a orientação teórico-metodológica adotada, registra-se resenha de leituras a estudos de Jauss para constituição de sua teoria que se prestam não só a subsidiar o desenvolvimento deste estudo historiográfico de seletas gregorianas como podem servir a futuras investigações de história de leitura. A reconstrução da recepção da obra gregoriana documentada em seletas tem um caráter de pesquisa de campo, pois parte de uma coleta de publicações disponíveis em sebos, em livrarias e em bibliotecas; para atingir trabalho com aspecto de pesquisa teórico-bibliográfica, pois efetiva aproximação de leituras de História do Brasil, Teoria Literária do Barroco e fortuna crítica de Gregório de Matos consoante é salutar para estudo da experiência estética. A investigação adequa-se a um dos campos de pesquisa (The hermeneutics, history, and theory of reception of literature) [a hermenêutica, história, e a teoria da recepção] dentre os apresentados por Jauss (1979, p. 94) em entrevista concedida a Rien T. Segers. Trata-se de um dos eixos temáticos a que se dedicara durante anos no programa de pós-graduação da “Constance Literary School”, o de associação de hermenêutica, história e teoria da recepção literária. Gregório de Matos em antologias: história da leitura de uma poesia consiste em participação nas “analysis of the processes of reception in their historical context (also between national literatures)” [análises dos processos de recepção no seu contexto histórico, inclusive entre literaturas nacionais] e participa da construção de uma “history of aesthetic experience (in functions of poiesis, aisthesis and catharsis) [história da experiência estética, em função das categorias de poiesis, aisthesis e catharsis] (JAUSS, 1979b, p. 94) da literatura brasileira, trabalho associado a dois tópicos daquele campo de estudo do programa de investigação do pesquisador alemão. O capítulo 2 comenta, com ênfase na composição de suas capas-frontispícios, um conjunto de antologias dentre as encontradas até este momento de construção de história da recepção da obra gregoriana: O Parnaso brasileiro do Cônego Januário (1831), Parnaso brasileiro de João Manuel Pereira da Silva (1843), Florilégio da Poesia Brasileira de Varnhagen (1850) são abordadas brevemente. Ainda no capítulo 2, os trabalhos de Domingos de Oliveira, Júlio Alves e Jorge Portugal (S/D), Segismundo Spina (1946), Hélio Pólvoda (1974), Fritz Teixeira Salles (1975), Maria de Lurdes Teixeira (1977), Antônio Dimas (1980), Walmir Ayala e Leodegário A. de Azevedo Filho (1997; 1991), Célia Passoni (1993), Francisco Maciel Silveira (1993), Cleise Furtado Mendes (1996), Letícia Malard (1998), Ângela Maria Dias (1996), Cláudio Gianfordoni (2008), José Wisnik (2010), Higino Barros (2011); Iuri Pereira (2013), Jean Pierre Chauvin (2013) e André Seffrin (2014) são comentados quanto ao texto imagético-verbal empregado como invólucro para mostra de poesia gregoriana. Os capítulos 1, 2 e 3 são guiados por considerações sobre a natureza e a composição de antologias, objeto editorial duplamente autoral com as funções sociais de atuar sobre cânone de modo a inserir autor ou autores; estabelecer cânone de certa época; reunir obras canônicas segundo certo tema ou certo gênero; oferecer ensino; divulgar crítica. A reflexão sobre o trabalho editorial de compor antologias a partir das capas de publicações gregorianas estabelece diálogo com estudos de Alfonso Reyes (1940); Anthony Stanton (1998); Fábio Lucas (1998); Haroldo de Campos (1995) e Wilson Martins (1991). O capítulo 3 centra atenção ao estudo da representatividade autoral de o nome Gregório de Matos figurar dentre os autores a terem obras selecionadas por Varnhagen (1850), além de dedicar espaço à abordagem da relevância crítico-literária do levantamento do trabalho com a linguagem realizado na obra gregoriana por Spina (1946). Ao término de percursos assim delineados, são apresentadas considerações sobre o estudo da composição do objeto editorial antologia a partir da recepção estética registrada na prática de compor seletas efetivada por leitores da obra de Gregório de Matos que orientarão a elaboração dos capítulos 4 como considerações finais à discussão inicial de estudo da história de leitura da obra de Gregório de Matos com respectivas projeções de ampliação.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 346839 - FRANCISCO IVAN DA SILVA
Externo à Instituição - LEILA MARIA DE ARAUJO TABOSA - UERN
Interno - 3546280 - SAMUEL ANDERSON DE OLIVEIRA LIMA
Notícia cadastrada em: 20/01/2016 10:51
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