Banca de DEFESA: JOSÉ ANTÔNIO VIEIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JOSÉ ANTÔNIO VIEIRA
DATA: 27/09/2013
HORA: 09:00
LOCAL: Auditório C
TÍTULO:

A ESCRITA DO TEXTO ACADÊMICO NA GRADUAÇÃO: MODOS DE UTILIZAÇÃO DE CONCEITOS TEÓRICOS DE UMA ÁREA DE CONHECIMENTO


PALAVRAS-CHAVES:

escrita, heterogeneidade, promoção do outro e monografia.


PÁGINAS: 180
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
SUBÁREA: Teoria e Análise Lingüística
RESUMO:

 

Neste trabalho realizamos uma discussão sobre a produção de textos acadêmicos de alunos do curso de Letras. Especificamente, analisaremos a escrita do texto monográfico, com o intuito de verificar os efeitos de sentido criados a partir das formas de marcação de outros discursos que constituem uma produção escrita. Para tanto, buscamos responder o seguinte questionamento: Como um jovem pesquisador utiliza uma teoria para se inserir em uma dada comunidade científica? Temos como objetivos: 1) analisar os recursos linguísticos, como citações, ilhas textuais e conectivos que marcam a presença da voz do outro na escrita acadêmica; e 2) observar os efeitos de sentido produzidos pelos modos que aquele que escreve marca a voz do outro na escrita. Selecionamos, inicialmente, 23 (vinte e três) monografias produzidas nos últimos cinco anos por alunos de um curso de Letras de uma dada universidade pública, mas, neste trabalho, analisamos 02 (dois) diferentes textos monográficos. Para o desenvolvimento desta investigação, nos valemos do conceito de ciência de Kuhn (2011), que aponta a existência de diferentes significados da produção de ciência no decorrer dos séculos, o que permite definir a escrita acadêmica como produção científica que desenvolve e contribui com a produção de conhecimento. Com o intuito de delimitar uma concepção de escrita que possibilite nossa investigação, nos baseamos em Coracini (2010), que apresenta a ideia de que toda escrita é a inscrição do si, ou seja, a produção escrita parte de uma intervenção do sujeito que escreve, sendo que, apenas uma imposição do “eu” o garante como autor do que escreve. Utilizamos como fundamentação teórica os seguintes conceitos: 1-) de heterogeneidade enunciativa de Authier-Revuz (2004), que nos possibilitou analisar as marcações do outro na escrita monográfica; 2-) reformulação-paráfrase de Pêcheux (1997) e polissemia e paráfrase de Orlandi (2007), conceitos que apresentam as noções de produtividade e criatividade como formas de produção de sentidos, e nos permite observar como se estabelece o processo de produção da linguagem na escrita acadêmica; 3-) conceito de valor de troca e valor de uso de Rossi-Landi (1985) que considera a linguagem como trabalho linguístico, nos possibilitando verificar as diferenças de uso e a funcionalidade social de uma teoria; e 4-) a noção de indícios de autoria apresentada por Possenti (2002), com a qual identificamos atitudes que fazem com que quem escreva se assuma como autor do seu próprio texto. Verificamos que a escrita caracterizada pela repetição e reprodução pode desenvolver um efeito de sentido que constrói a ideia de que a produção da escrita promove um autor, um conceito ou uma teoria. Também percebemos que, mesmo a escrita limitando-se a reproduzir os discursos de outros autores e não articulando uma teoria com uma análise de dados ou com a metodologia do trabalho, quando avaliada, obtém aprovação e legitima-se como produção científica. Isso demonstra a existência de produções acadêmicas que não desenvolvem uma funcionalidade da teoria empregada. O texto funciona como meio de promover sua fundamentação teórica, e esta, que normalmente configura-se como forma de argumentação e sustentação da produção científica, não exerce função no trabalho realizado. Assim, consideramos que as marcações do outro na escrita acadêmica podem funcionar de modo a destacar aquilo que o outro afirma em detrimento do dizer do pesquisador. O que nos permitiu compreender, que um modo de escrita pode evidenciar um efeito de sentido de promoção de um autor, de uma teoria ou de conceitos teóricos.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1673309 - SULEMI FABIANO CAMPOS
Interno - 349685 - MARIA DAS GRACAS SOARES RODRIGUES
Externo à Instituição - ERNESTO SÉRGIO BERTOLDO - UFU
Notícia cadastrada em: 02/09/2013 16:20
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