LAZER E RESISTÊNCIA NO PROCESSO DE TURISTIFICAÇÃO: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS NA VILA DE PONTA NEGRA/NATAL/RN
Lazer. Turistificação. Desterritorialização. Lazer de Resistência. Vila de Ponta Negra/RN.
O lazer é um direito social fundamental, porém, em sociedades marcadas por profundas desigualdades, seu acesso é restrito e frequentemente transformado em mercadoria pelas dinâmicas do capitalismo. Em destinos turísticos, a intervenção do capital especulativo e a urbanização turística desencadeiam o processo de turistificação, reconfigurando os espaços urbanos para atender prioritariamente às demandas do mercado, o que promove a elitização e a exclusão socioespacial da população residente de baixa renda. Essa é a realidade da Vila de Ponta Negra, em Natal/RN, uma antiga comunidade de pescadores e definida como uma Área Especial de Interesse Social (AEIS), que vivencia uma paisagem de contrastes, bem como uma intensa segregação gerada pelo avanço do turismo. Em contraposição à perda de seus espaços tradicionais de lazer e trabalho, observa-se a reinvenção do uso do território pela população marginalizada, configurando o que chamamos de "lazer de resistência", no qual os sujeitos periféricos rompem barreiras para exercer o protagonismo comunitário, o (re)existir político e o direito à cidade. Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é analisar as concepções, condições e práticas de lazer nas áreas públicas e turistificadas da comunidade da Vila de Ponta Negra, Natal/RN. A pesquisa, fundamentada no método crítico-dialético em Netto (2011), adota uma abordagem mista (qualiquantitativa). A coleta de dados ocorrerá por meio de pesquisa bibliográfica e documental, mapeamento dos equipamentos de lazer locais, observação não participante in loco e entrevistas semiestruturadas com os moradores da Vila. Já a análise de dados será realizada com base na análise de conteúdo categorial de Bardin (1979). Espera-se que os resultados confirmem a hipótese inicial de pesquisa de que o processo de turistificação atua ativamente como agente limitador e promotor de desterritorialização, no entanto, o lazer pode se constituir em uma estratégia de resistência e um elemento de luta política das comunidades locais. O estudo deverá evidenciar que as práticas recreativas e de convívio desses residentes passaram a ocorrer majoritariamente em interstícios urbanos ou em horários alternativos, demonstrando que a modernização do bairro atendeu prioritariamente à lógica do capital turístico-imobiliário, em detrimento da função social da cidade e do direito dos moradores ao seu espaço de vida e memória.