AUTO DOS ORIXÁS DA ESPETACULARIDADE DO PROCESSO CRIATIVO À CENA DA CONSTRUÇÃO DE CORPOREIDADES DAS YABÁS
Orixás, Yabás, corporeidades.
O presente trabalho busca desenvolver um estudo
descritivo-reflexivo acerca do espetáculo Auto dos Orixás que é um espetáculo de teatro
e dança afro-brasileiro que conta histórias das divindades africanas cultuadas nas
religiões de matriz africanas: os Orixás. No ano de 2023, foi apresentada a 13ª edição no
ponto de Cem Réis localizado no centro histórico da cidade de João Pessoa – Paraíba,
trazendo como tema “O sagrado nas relações humanas”. A obra é proposta não apenas
como espetáculo, mas também como um ato afirmativo de combate ao racismo
estrutural e ao racismo afro religioso, trazendo aspectos políticos, sociais e de afirmação
identitária negra. Como escopo metodológico, tomamos como referência a
etnocenologia, partindo de um estudo de caráter qualitativo da descrição e reflexão da
espetacularidade presente desde o processo criativo até a apresentação do espetáculo,
com enfoque na criação para as corporeidades das Yabás (divindades femininas do culto
aos Orixás). Tendo como objetivos destacar a importância dessas formas e narrativas
corporais, sua linguagem gestual e simbólica na estrutura dramatúrgica da obra,
buscando compreender a importância da obra artística como uma amálgama de
elementos espetaculares e subjetivos e identificar como tais elementos se configuram
como um ato de resistência cultural e identitária negra. Os escritos contribuem para
apontar caminhos de decolonização em processos de construções poéticas da cena,
tendo em vista que, os resultados alcançados a partir das análises evidenciaram que, o
espetáculo transcende a performance artística ao buscar ressignificar ao público
narrativas históricas e afirmar a identidade afro-brasileira, ao converter espaços urbanos
em lugares de resistência o espetáculo propicia a visibilidade e o empoderamento das
tradições negras, ao mesmo tempo em que desafia preconceitos e fortalece a
ancestralidade por meio da dança dos Orixás, da performance e do corpo em movimento
que têm o poder de fortalecer identidades e criar em suas intérpretes uma sensação de
pertencimento a um movimento coletivo de construção de sentido, que articula a cultura
afro-brasileira com a história de luta e resistência do povo negro.