Banca de DEFESA: LAYANA MARQUES DE OLIVEIRA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LAYANA MARQUES DE OLIVEIRA
DATA : 19/11/2021
HORA: 14:00
LOCAL: videoconferência
TÍTULO:

Alterações nos Músculos respiratórios na Distrofia Muscular de Duchenne: suas consequências na apresentação clínica da doença


PALAVRAS-CHAVES:

Distrofia muscula de Duchenne, assincronia toracoabdominal, músculos respiratórios.


PÁGINAS: 120
RESUMO:

Introdução: A distrofia muscular de Duchenne (DMD) resulta em fraqueza progressiva e perda de todos os músculos estriados, incluindo os músculos respiratórios, com consequências na deambulação, além de dificuldades respiratórias, como principal causa de morte. Nas últimas décadas, a sobrevida dos pacientes com DMD tem aumentado graças a uma abordagem terapêutica mais abrangente, principalmente com medidas de avaliação e manejo precoce das complicações pulmonares. Entretanto, ainda existem lacunas na compreensão de como as alterações nos músculos respiratórios e as posturas corporais podem influenciar o movimento toracoabdominal e as pressões respiratórias máximas nasais nessa população e como a introdução de novas medidas clinicas não invasivas podem auxiliar no manejo desses pacientes. Objetivos: Essa tese tem como objetivo principal compreender melhor as alterações dos músculos respiratórios na Distrofia Muscular de Duchenne e suas consequências na evolução clínica da doença. Para isso, três objetivos foram traçados: 1) Avaliar como o posicionamento corporal influencia na assincronia toracoabdominal e o movimento inspiratório paradoxal durante a respiração tranquila e a tosse na DMD; 2) Avaliar como a mudança de posicionamento corporal durante a avaliação das pressões máximas nasais podem afetar os valores pressóricos, as taxas de relaxamento, as propriedades contráteis musculares, como também, modificar a ativação muscular eletromiográfica na DMD; 3) Acompanhar a evolução clínica da função respiratória e motora, além das taxas de relaxamento e propriedades contráteis dos músculos inspiratórios na DMD em um seguimento de 6 meses. Métodos: Para o estudo 1, avaliamos 14 indivíduos com DMD e 12 saudáveis usando pletismografia optoeletrônica (POE) durante a respiração basal e tosse espontânea em 3 posições: supino, supino com apoio de cabeça elevado a 45° (45°) e sentado com apoio para as costas a 80° (80°). A assincronia toracoabdominal foi avaliado através do ângulo de fase (PhAng) entre a caixa torácica pulmonar (CTp) e a caixa torácica abdominal (CTa) e abdômen (AB), bem como a porcentagem do tempo inspiratório paradoxal da CTp (IPCTp), CTa (IPCTa) e AB (IPAB). No estudo 2, as taxas de relaxamento e propriedades de contração dos músculos inspiratórios e expiratórios foram extraídas das curvas da pressão inspiratória nasal (SNIP) e pressão expiratória nasal (SNEP), realizadas de forma não invasiva em 9 pacientes com DMD em diferentes posições, associado a avaliação da ativação dos músculos respiratórios através da eletromiografia de superfície. O estudo 3, trata-se de um estudo longitudinal pareado de 6 meses onde as taxas de relaxamento e propriedades de contração dos músculos inspiratórios extraídos da curva do SNIP foram avaliadas em 22 indivíduos com DMD versus grupo saudável pareado. Resultados: Como resultado do estudo 1, durante a tosse, o grupo DMD apresentou maior PhAng da CTp e CTa (p<0,05), PhAng da CTp e AB (p<0,05) na posição supina e em 45°, e maior PhAng da CTp e CTa (p=0,006) apenas na posição supina em comparação com os saudáveis. Em relação à análise intragrupo, durante a tosse, o grupo DMD apresentou maior PhAng da CTp e AB (p=0,02) e PhAng da CTa e AB (p=0,002) em supino e maior PhAng da CTa e AB (p=0,002) em 45° quando comparado a 80°. A análise da curva ROC foi capaz de discriminar entre os indivíduos saudáveis e o grupo com DMD na posição supina no PhAng da CTa e AB [AUC: 0,81, sensibilidade: 78,6% e especificidade: 91,7%, p=0,001]. No estudo 2, durante as medidas de SNIP e SNEP, não foi observado diferenças nos valores de pressão, taxa de relaxamento e propriedades de contração dos músculos inspiratório e expiratório nas posições avaliadas. No entanto, os indivíduos com DMD exibiram maior ativação no intercostal externo apenas durante o SNIP. No estudo 3, quando comparados a indivíduos saudáveis, os pacientes com DMD apresentam uma menor taxa de relaxamento máxima (MRR) (p <0,005) e um maior tau (τ) e tempo da metade da curva de relaxamento (½ TR) na avaliação inicial e após 6 meses. Os resultados da curva ROC mostraram que os parâmetros MRR, τ, ½ TR e SNIP (% pred) foram e capazes de discriminar entre indivíduos saudáveis e com DMD na avaliação inicial e após 6 meses. Conclusões: Durante a tosse, indivíduos com DMD possuem assincronia toracoabdominal com esvaziamento insuficiente e distorção dos compartimentos da parede torácica, através da avaliação não invasiva da POE. Além disso, foi observado que a posição não afeta as pressões respiratórias máximas nasais e as taxas de relaxamento e propriedades de contração das curvas de pressões em diferentes posições. Ainda, é possível discriminar parâmetros alterados das taxas de relaxamento e do SNIP após 6 meses nos indivíduos com DMD em relação a sujeitos saudáveis. Essas novas técnicas de mensuração não invasiva, como a avaliação da assincronia toracoabdominal, e da fraqueza dos músculos inspiratórios e expiratórios apresentadas nesse estudo poderão nos auxiliar no manejo clinico precoce dessa população.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - FERNANDO AUGUSTO LAVEZZO DIAS - UFPR
Externa ao Programa - 2211023 - ILLIA NADINNE DANTAS FLORENTINO LIMA
Externa à Instituição - JESSICA DANIELLE MEDEIROS DA FONSECA
Externa ao Programa - 2646588 - JOCELINE CASSIA FEREZINI DE SA
Presidente - 5566309 - VANESSA REGIANE RESQUETI FREGONEZI
Notícia cadastrada em: 18/10/2021 15:08
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