Banca de DEFESA: TACIANO DIAS DE SOUZA ROCHA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : TACIANO DIAS DE SOUZA ROCHA
DATA : 26/04/2019
HORA: 14:00
LOCAL: Auditório do departamento de fisioterapia
TÍTULO:

Aerossolterapia em indivíduos obesos com ou sem DPOC: análise do padrão de deposição pulmonar e determinação de fatores preditores.

 


PALAVRAS-CHAVES:

Palavras chaves: Fisioterapia Respiratória; Obesidade; Aerossolterapia



PÁGINAS: 82
RESUMO:

Resumo

Introdução: A obesidade é responsável por desencadear diversas alterações sistêmicas, aumentar a severidade e a morbidade de patologias existentes. Indivíduos obesos com doenças respiratórias, como a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) apresentam maiores índices de dispneia, piores estados gerais de saúde, maior consumo de medicações e baixa efetividade do uso de medicações inalatórias, comparados a pacientes com peso normal. Dentro do nosso conhecimento, não foram encontrados dados na literatura que definam quais seriam os fatores responsáveis pela baixa efetividade no uso desse tipo de medicação na população obesa. Além disso, o uso de aerossolterapia via cânula nasal de alto fluxo para melhorar o padrão de deposição nessa população necessita ser estudado.

Objetivos:

1- Analisar a associação entre variáveis anatômicas de vias aéreas superiores de indivíduos obesos saudáveis e o percentual de deposição pulmonar de radiofármaco inalado e analisar os fatores preditores para essa deposição.

2 – Analisar a deposição pulmonar de radiofármaco inalado, via Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF), em pacientes com DPOC (obesos e não obesos) Método: O estudo foi realizado em duas partes: a primeira parte (estudo 1) foi um ensaio clínico controlado, não randomizado, com indivíduos obesos e não obesos. Foram avaliadas: características antropométricas e anatômicas de vias aéreas superiores (Tomografia Computadorizada e escore Mallampati modificado). Todos voluntários inalaram radiofármaco (99mTc-DTPA; 1mci), com broncodilatador bromidrato de Fenoterol e brometo de ipratrópio, utilizando nebulizador de membrana (MESH) em respiração tranquila (volume corrente). As comparações de deposição ocorrem entre o grupo obesos e o grupo não obesos.  A segunda parte do estudo foi um ensaio clínico to tipo crossover, onde pacientes com DPOC inalaram radiofármaco (99mTc-DTPA; 1mci), com broncodilatador bromidrato de Fenoterol e brometo de ipratrópio em dois dias diferentes (pelo menos dois dias de intervalo entre eles). Em um dia a inalação ocorria de forma simples, utilizando inalador de membrana (MESH), enquanto outro dia a inalação ocorria via CNAF. A sequência da intervenção foi randomizada previamente.

Resultados do estudo 1: Participaram do estudo 27 indivíduos (17 indivíduos não obesos e 12 obesos). Os voluntários do grupo obeso apresentaram deposição pulmonar 30% menor do que os não obesos (p=0,01; IC 95% 0,51 a 4,91). As variáveis anatômicas referentes à forma das vias aéreas diferiram entre os grupos, sendo o diâmetro anteroposterior da região retroglossal de obesos 29% maior (p<0,01; IC 95% -5,44 a -1,1), enquanto o diâmetro lateral foi 42% menor (p=0,03; IC 95% 0,58 a 11,48), comparado aos indivíduos não obesos. A área de secção transversa da região retropalatar e sua relação com a área de secção transversal na região retroglossal também foram menores em obesos (p<0,05). Nenhuma dessas variáveis apresentou correlação com a deposição pulmonar do aerosol inalado. Enquanto isso, o IMC mostrou-se responsável por 32% da variância da deposição pulmonar (p<0,001; β -0,28; IC 95 %-0,43 a -0,11). Quando analisados sob a subdivisão de classes Mallampati modificado, indivíduos obesos classe 4 apresentaram 44% menos deposição pulmonar de radiofármaco inalado do que os não obesos na mesma classificação.

Conclusão do estudo 1: As alterações anatômicas de vias aéreas superiores, decorrentes da obesidade, parecem não interferir na deposição pulmonar mais do que o IMC por si só. Porém, a obesidade associada à classe 4 de Mallampati modificado foi responsável por uma exacerbação da diferença de deposição pulmonar entre obesos e não obesos, representando um fator preditor de má deposição pulmonar de radioaerosol nesses indivíduos.

Resultados do estudo 2: Participaram do estudo 11 voluntários com DPOC (5 obesos), que em formato crossover compuseram os seguintes grupos: Inalação Simples (n=11) e Inalação via CNAF (n=11). Em média, os participantes apresentavam VEF1 de 43%; CVF de 58%; VEF1/CVF 70% e PEF 30% (baseados nos valores preditos). O grupo Inalação simples apresentou mediana do percentual de deposição pulmonar de 2,8% (IQR 3) da contagem total, enquanto isso, quando a inalação foi feita utilizando a CNAF, 3,0 % (IQR 1,3, p>0.05; Teste de Wilcoxon. A deposição em vias aéreas superiores foi maior com a CNAF em relação a inalação Simples (28% IQR 3, e 11% IQR 5,3, respectivamente; p=0,004). De modo inverso, foi observada menor deposição de aerosol em vias aéreas inferiores com a CNAF, comparado à inalação simples (0,2% IQR 0,9 e 0,75% IQR 0,1, respectivamente; p=0,01). A análise estratificada pelo IMC (e.g. obesos e não obesos) mostrou maior diferença na deposição pulmonar de indivíduos de peso normal, quando submetidos a CNAF e Inalação simples. (4,1% e 3,1% respectivamente), porém não significativa. Em indivíduos obesos, CNAF e inalação simples geraram percentuais de deposição pulmonar semelhantes (2,8% IQR 2 e 2,7% IQR 4, respectivamente).

Conclusão do estudo 2: A recurso de inalação em alto fluxo com a Cânula Nasal favorece uma deposição pulmonar de aerosol semelhante a inalação simples, em pacientes com DPOC, sem benefícios específicos para o paciente obeso.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 275.782.084-20 - ARMELE DE FATIMA DORNELAS DE ANDRADE - UFPE
Externa à Instituição - DANIELLA CUNHA BRANDÃO
Interna - 2291421 - KARLA MORGANNA PEREIRA PINTO DE MENDONCA
Externo à Instituição - LUCIANA ALCOFORADO MENDES DA SILVA
Interna - 5566309 - VANESSA REGIANE RESQUETI FREGONEZI
Notícia cadastrada em: 01/04/2019 15:00
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