A “ECONOMIA CRIATIVA” E O LUGAR DA CULTURA NO CAPITALISMO CONTEMPORANEO
“Economia criativa”; Cultura; Capitalismo contemporâneo
Este projeto de tese expõe resultados parciais de pesquisa com o objetivo de analisar como a cultura se apresenta no debate contemporâneo da “economia criativa”, no lapso temporal das últimas décadas do capitalismo contemporâneo (1970-2020). A cultura é uma categoria ampla e, por isso, delimitamos os seus três núcleos fundamentais: 1) a cultura como nicho de mercado parasitário composto pelas campanhas de vendas; 2) a cultura como bens e serviços artístico-culturais mediados, em seu acesso, pela iniciativa privada ou pelo Estado, mas criada por uma força de trabalho intelectual e artística assalariada; e 3) a cultura como um determinado modo de vida, abarcando as formas de ser e pensar de classes sociais e, dentro delas, de povos e países, o que inclui ideologias, consciências e valores hegemônicos ou contra-hegemônicos. Nesta pesquisa, estuda-se a cultura com ênfase na dimensão objetiva a partir do seu segundo núcleo – a cultura como bens e serviços artístico-culturais criados pela força de trabalho intelectual e artística assalariada –, de modo que os demais núcleos são abordados de maneira transversal. Nessa dimensão objetiva, identifica-se que, na virada para o século XXI, o termo “indústria cultural” vem sendo substituído por “indústria criativa”. A cultura é tratada pelas organizações nacionais e internacionais como um segmento dentro da chamada “economia criativa”. Devido a sua inserção na “economia criativa”, nascente no capitalismo contemporâneo em um contexto de crise capitalista e com uma literatura originária em alguns países imperialistas, urge a necessidade de investigar qual é o lugar da cultura nesse debate, percebendo como o Brasil, enquanto país de capitalismo dependente, se insere nessa “economia criativa”. Em relação aos objetivos específicos, busca-se: apreender as origens da “economia criativa” e as bases teórico-metodológicas adotadas pela literatura hegemônica; analisar como o debate da cultura aparece na “economia criativa” em instituições nacionais e internacionais; e investigar os impactos da crise capitalista na cultura nacional brasileira a partir de documentos nacionais sobre “economia criativa”. Para tanto, numa perspectiva crítico-dialética, realiza-se uma pesquisa documental, de natureza qualitativa e tipologia explicativa, em materiais de variadas instituições nacionais e internacionais acerca do que se convencionou a chamar por “economia criativa” na virada para o século XXI. Associa-se, ainda, a uma pesquisa bibliográfica da literatura hegemônica dos países imperialistas que criaram o termo e, também, do Brasil sobre “economia criativa” na sua relação com a cultura.