Banca de QUALIFICAÇÃO: LAILA DA SILVA ASTH FERNANDES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LAILA DA SILVA ASTH FERNANDES
DATA: 27/08/2015
HORA: 14:00
LOCAL: Sala da Biofísica
TÍTULO:

Efeitos in vivo e in vitro de agonistas parciais do receptor NOP: implicações para o tratamento da ansiedade, depressão e mania


PALAVRAS-CHAVES:

nociceptina/orfanina FQ, agonistas parciais, ansiedade, depressão, BRET


PÁGINAS: 143
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Introdução: A nociceptina/orfanina FQ (N/OFQ) é um heptadecapeptídeo que age como ligante endógeno do receptor NOP. Baseados nas evidências pré-clínicas do envolvimento do sistema da N/OFQ – receptor NOP com estados emocionais e considerando a distribuição neuroanatômica da N/OFQ e do receptor NOP, este trabalho investigou os efeitos de ligantes NOP, os agonistas parciais peptídicos UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 e o agonista parcial não peptídico AT-090, no comportamento emocional de camundongos, bem como as vias de transdução do sinal decorrentes da ligação destas moléculas com o receptor NOP. Métodos: Foram utilizados camundongos machos, das linhagens Swiss e CD-1, além dos nocautes para o receptor NOP (NOP(-/-)) e seus controles selvagens NOP(+/+), pesando entre 30-35 g. O labirinto em cruz elevado (LCE) foi utilizado para avaliar o efeito dos compostos sobre a ansiedade. O diazepam e os agonistas do receptor NOP, N/OFQ e Ro 65-6570, foram utilizados como controles positivos no LCE. Os camundongos NOP(+/+) e NOP(-/-) foram utilizados na avaliação da seletividade de ação dos compostos com efeito do tipo ansiolítico. O teste da natação forçada (TNF) foi utilizado a fim de se avaliar os efeitos dos compostos sobre o comportamento do tipo depressivo. A nortriptilina e os antagonistas do receptor NOP, UFP-101 e SB-612111, foram utilizados como controles positivos no TNF. As ações de N/OFQ, UFP-101, UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 foram ainda avaliadas no teste de hiperlocomoção induzida pelo metilfenidato, onde o valproato foi utilizado como controle positivo. A influência do UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 na atividade locomotora foi testada no campo aberto. As vias de transdução do sinal (proteína G e β-arrestina 2) dos agonistas (N/OFQ e Ro 65-6570), do antagonista (UFP-101) e dos agonistas parciais (UFP-113, [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 e AT-090) do receptor NOP foram investigadas por meio da avaliação da transferência de energia por ressonância de bioluminescência. Para isso, foram usadas células co-expressando o receptor NOP acoplado à luciferase (doador de energia) e a proteína verde fluorescente (aceptor de energia) acoplada a uma das proteínas efetoras: proteína G ou a β-arrestina 2. Resultados: Diazepam (1 mg/kg), N/OFQ (1 nmol), Ro 65-6570 (0,1 mg/kg) e AT-090 (0,01 mg/kg) apresentaram efeito do tipo ansiolítico no LCE. Os efeitos do Ro 65-6570 e do AT-090 foram devidos a ativação seletiva do receptor NOP, uma vez que ambos foram inativos em camundongos NOP(-/-) expostos ao LCE. Em contraste, UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 foram inativos no LCE. No TNF, nortriptilina (30 mg/kg), UFP-101 (10 nmol), SB-612111 (10 mg/kg), UFP-113 (0,01 e 0,1 nmol) e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 (0,3 e 1 nmol) apresentaram efeito do tipo antidepressivo, diferentemente do AT-090, que foi inativo neste teste. O metilfenidato (MF, 10 mg/kg) induziu hiperlocomoção nos camundongos expostos ao campo aberto, que foi prevenida pelo valproato (400 mg/kg). O UFP-101 (10 nmol), assim como UFP-113 (0,01 – 0,1 nmol) e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 (1 nmol), foram capazes de reduzir a hiperlocomoção induzida pelo MF, sem  alterar a locomoção per se. O efeito do UFP-113 decorreu da ativação seletiva do receptor NOP, uma vez que foi inativo em camundongos NOP(-/-) expostos ao teste da hiperlocomoção induzida por MF. Em contraste, a N/OFQ (0,1 e 1 nmol) não alterou o aumento na locomoção induzido pelo MF. Tanto o UFP-113 quanto o [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 induziram hipolocomoção nas maiores doses testadas (1 e 3 nmol, respectivamente) em camundongos submetidos ao campo aberto. In vitro, tanto a N/OFQ quanto o Ro 65-6570, promoveram a interação do receptor NOP com a proteína G e com a β-arrestina 2 de forma concentração-dependente, comportando-se como agonistas plenos do receptor NOP em ambas as vias de transdução. O AT-090, UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 promoveram a interação do receptor NOP com a proteína G com efeitos máximos significativamente reduzidos em relação a N/OFQ. O AT-090 foi capaz de induzir o recrutamento da β-arrestina 2 novamente com efeitos máximos significativamente reduzidos em relação a N/OFQ, enquanto o UFP-113 e o [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 falharam em induzir o recrutamento da β-arrestina 2. Portanto, AT-090 se comportou como agonista parcial em ambas as vias de transdução, enquanto UFP-113 e [F/G]N/OFQ(1-13)NH2 se comportaram como agonistas parciais e antagonistas, respectivamente, nas vias de transdução da proteína G e da β-arrestina 2. O UFP-101 não promoveu o recrutamento da proteína G, nem da β-arrestina 2, se comportando como antagonista do receptor NOP em ambas as vias de transdução. Conclusão: Ligantes do receptor NOP que produzem o mesmo efeito na interação do receptor NOP com a proteína G (agonismo parcial), mas efeitos opostos no recrutamento da β-arrestina 2 (agonismo parcial vs antagonismo) podem promover efeitos diferentes sobre a ansiedade e o humor, como foi verificado nos testes comportamentais. Este trabalho corrobora o potencial do receptor NOP como uma ferramenta farmacológica inovadora no tratamento de estados emocionais.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1696755 - BRUNO LOBAO SOARES
Presidente - 1645202 - ELAINE CRISTINA GAVIOLI
Interno - 1216466 - JOHN FONTENELE ARAUJO
Notícia cadastrada em: 26/08/2015 12:20
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