Banca de QUALIFICAÇÃO: FABIANA BARBOSA GONCALVES

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: FABIANA BARBOSA GONCALVES
DATA: 16/04/2014
HORA: 09:00
LOCAL: Sala de Reunião do DFS
TÍTULO:

Caracterização do ritmo circadiano da atividade e repouso em saguis idosos (Callithrix jacchus)


PALAVRAS-CHAVES:

Envelhecimento; Sincronização fótica; Sincronização não-fótica; Primatas.


PÁGINAS: 75
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

O envelhecimento é um processo de declínio progressivo e diferencial de diversos sistemas biológicos. Do ponto de vista cronobiológico, são as etapas inicias e finais da vida que apresentam as maiores mudanças na capacidade do sistema de temporização circadiano (STC) de gerar endogenamente os ritmos biológicos e sincronizar às pistas fóticas e não-fóticas, tornando a idade um fator limitante para a manutenção da ritmicidade dos organismos. Neste estudo, foi avaliada a influência do envelhecimento sobre a sincronização (fótica e não-fótica) e expressão da periodicidade do ritmo circadiano de atividade (RCA) em um primata diurno, o sagui (Callithrix jacchus). O estudo teve dois enfoques principais: o primeiro com abordagem longitudinal, realizado com um sagui na fase adulta e no envelhecimento (estudo 1), e o segundo com uma abordagem transversal, comparando os processos de sincronização fótica e não-fótica entre saguis adultos jovens e idosos em condições seminaturais e experimentais (estudos 2 e 3). No primeiro enfoque, foi realizado um estudo de caso com um animal, na fase adulta (3 anos) e idoso (9 anos), sob condições de claro escuro (CE 12:12) e claro-constante (CC), com registro da atividade por sensores infravermelho. Na fase adulta, o animal expressou o ritmo circadiano de atividade (RCA) sincronizado ao ciclo CE (12:12) com aproximadamente 9 horas de fase ativa e com diferenças positivas de ângulo de início e final da fase ativa. Sob CC, o RCA expressou-se em livre-curso robusto com período menor que 24 h, semelhante ao observado em saguis adultos em estudos anteriores. Quando idoso, o RCA teve menor estabilidade e amplitude, além de maior fragmentação em grau crescente até a evidência da perda da capacidade de sincronização ao CE. Sob CC, o período endógeno foi distinto do padrão adulto, expressando-se com duração maior que 24 h. No segundo enfoque, foram realizados dois estudos com registro do RCA em saguis adultos jovens e idosos através de actimetria, um comparando o RCA de acordo com os ciclos CE (seminatural e artificial) e espaço de confinamento, e outro em condições de laboratório para caracterização dos processos de sincronização (fótica e não-fótica) e de geração endógena em CC. No estudo 2, em condições de CE seminatural, os idosos apresentaram atraso no início e final da fase ativa em relação aos crepúsculos, quando comparados aos jovens. A iluminação artificial reduziu o atraso de fase no início da atividade apenas nos idosos, promovendo maior ajuste da fase ativa à fase de claro. A redução no espaço de alojamento não influenciou o total de atividade dos idosos, mas esteve associada à redução na atividade dos jovens. No estudo 3, realizado apenas na sala experimental com isolamento parcial para o som, observou-se que o padrão temporal rítmico de pistas auditivas pode ter efeito sincronizador ou modulador sobre o RCA, podendo variar com a idade. Em CE, enquanto a sincronização fótica dos adultos foi estável, os idosos apresentaram maiores índices de instabilidade (IS) e variabilidade (IV). Em dois animais mais velhos do grupo, houve a expressão de livre-curso do RCA com períodos endógenos maiores de 24 h. Em CC, a análise que correlaciona os perfis de atividade diária dos animais mantidos em sala com os animais presentes na parte externa, para obtenção de índices de sincronia intergrupo, revelou que os adultos mantêm uma maior sincronia do que os animais idosos. De acordo com o conjunto de dados, sugere-se que 1) o envelhecimento pode modificar a expressão endógena e a sincronização fótica no sagui, que podem estar relacionadas a mudanças na captação de pistas fóticas, geração e expressão comportamental do RCA; 2) as qualidades físicas do zeitgeber em iluminação artificial, tais como transições instantâneas entre o as fases do CE e maiores intensidades no início da fase de claro, podem aumentar a capacidade de sincronização fótica em saguis idosos. Dessa forma, os animais idosos podem obter benefícios no ajuste temporal mais robusto dos ritmos em condições de iluminação artificial sem interferência na quantidade de atividade e duração da fase ativa; 3) o envelhecimento pode também reduzir a capacidade de sincronização não-fótica por pistas auditivas em saguis, possivelmente por redução na captação sensorial e na resposta dos osciladores circadianos às pistas auditivas, podendo tornar o sagui idoso mais vulnerável e menos adaptável ao ambiente, pois as pistas não-fóticas podem atuar como um zeitgeber significativo e como um fator coadjuvante importante da sincronização fótica.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1199136 - CAROLINA VIRGINIA MACEDO DE AZEVEDO
Interno - 2351800 - JEFERSON DE SOUZA CAVALCANTE
Interno - 1216466 - JOHN FONTENELE ARAUJO
Notícia cadastrada em: 25/03/2014 16:46
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