Desenvolvimento Da Pré Eclâmpsia E O Gene Stox1: Uma Revisão
Sistemática E Metanálise
Revisão sistemática; Pré-eclâmpsia; STOX1.
A pré-eclâmpsia (PE) é um distúrbio hipertensivo gestacional multifatorial e constitui
importante causa de morbimortalidade materna e perinatal em todo o mundo. Embora
a patogênese da PE seja complexa—envolvendo placentação anômala, disfunção
endotelial e respostas inflamatórias—evidências crescentes indicam um componente
genético. O gene STOX1, especialmente os polimorfismos Y153H e -922 T>C, tem
sido associado à suscetibilidade à PE, mas os achados permanecem inconsistentes.
Esta revisão sistemática e meta-análise seguiram as diretrizes PRISMA e foram
registradas no PROSPERO (CRD42023465306). Realizou-se busca abrangente em
oito bases de dados para identificar estudos observacionais que investigaram
polimorfismos do gene STOX1 em gestantes com PE versus controles normotensos.
Dois revisores extraíram os dados de forma independente. Razões de chances (ORs)
agrupadas e intervalos de confiança de 95 % (IC95 %) foram calculados com modelos
de efeitos fixos ou aleatórios, conforme a heterogeneidade avaliada pelo estatístico
I². A qualidade metodológica foi examinada pela escala de Newcastle-Ottawa (NOS).
Quatro estudos foram incluídos, totalizando 1 906 casos e 3 019 controles. Três
investigaram a variante Y153H do STOX1, não observando associação
estatisticamente significativa com PE em nenhum modelo genético (dominante,
recessivo, codominante ou alélico). As meta-análises exibiram alta heterogeneidade,
especialmente na comparação alélica (I² = 99,6 %). Um estudo avaliou o polimorfismo
promotor -922 T>C e encontrou associação significativa com maior risco de PE,
sobretudo na forma de início precoce (OR = 2,01; IC95 % [1,11–3,65]; p = 0,02);
contudo, ele não foi incluído na meta-análise por falta de estudos comparáveis. Não
foram encontradas evidências consistentes de que o polimorfismo Y153H do STOX1
esteja associado ao risco de PE. Entretanto, a variante -922 T>C pode contribuir para
a suscetibilidade a subtipos específicos da doença. São necessários estudos maiores,
multiétnicos e integrando dados genéticos, transcriptômicos e clínicos para elucidar o
papel do STOX1 na patogênese da pré-eclâmpsia.