A-moderno; Ciência; Moderno; Natureza; Sociedade.
O livro Jamais Fomos Modernos (1994) de Bruno Latour propõe uma crítica à concepção tradicional da modernidade, que divide o mundo entre a natureza e a Sociedade. Latour argumenta que, ao longo da modernidade, criamos uma falsa separação entre esses dois domínios, considerando que a Ciência e a natureza pertencem ao campo da objetividade, enquanto a Sociedade e a Cultura seriam questões subjetivas e humanas.
A principal proposta de Latour é que essa separação nunca existiu de fato. Ele sustenta que, desde o início, sempre houve uma interdependência entre esses dois mundos. Para ele, a modernidade não se caracteriza por essa divisão, mas por uma tentativa contínua de construir essa distinção, o que gera uma série de contradições e problemas ao longo da história.
Latour propõe uma nova forma de compreender o mundo, em que as entidades, sejam naturais ou sociais, são tratadas como "atores" que interagem uns com os outros. Ele questiona a visão moderna de progresso e cientificidade, propondo uma abordagem mais integrada, na qual a Ciência e a Sociedade estão entrelaçadas e não devem ser tratadas como esferas separadas, mas sim como “coletivos”.
O autor faz uma crítica dos conceitos de "modernidade" e "pós-modernidade", sugerindo que a sociedade moderna, na verdade, nunca foi totalmente moderna, pois continua a operar de maneiras que não se encaixam bem nesse modelo dualista. Por fim, Latour nos desafia a abandonar a ideia de que a modernidade é um projeto bem-sucedido de desenvolvimento e controle das ciências, afirmando que nunca fomos verdadeiramente modernos, pelo menos não na prática. A ideia de moderno existiu, mas era incapaz de ser aplicada à vida real.