O PARADOXO DA UTILIDADE: A RELEVANCIA DO INUTIL E O DESAFIO DO PENSAMENTO EM MARTIN HEIDEGGER
O PARADOXO DA UTILIDADE: A RELEVANCIA DO INUTIL E O DESAFIO DO PENSAMENTO EM MARTIN HEIDEGGER
Heidegger. Inútil. Útil. Pensamento Meditativo.
O pensamento próprio das sociedades modernas reside no âmbito do cálculo e, por meio dele, todas as nossas ações são fundadas. O pensamento meditativo é considerado da ordem do inútil, pois aparentemente não tem utilidade para; nem serventia. A própria filosofia é considerada da ordem do inútil por não possuir uma utilidade que a determine em seus campos de saber. Diante das exigências do útil, nossa pesquisa, pretende investigar de que forma podemos fugir da esfera utilitária e do instrumentalismo que regem esse nosso mundo técnico e compreender o inútil como uma possibilidade de novas formas de pensar e agir para o homem. Uma proposta plausível que busca compreender a relação do pensamento meditativo com o pensamento calculador, trazendo para luz as controvérsias desse encontro. A fim de verificar a hipótese de que, “no mundo técnico o homem tem a impressão que tudo domina”. A pesquisa se centrará em uma revisão bibliográfica acerca das temáticas que são consideradas inúteis pelo mundo do cálculo, como, por exemplo, a felicidade, a liberdade, a arte e até mesmo a própria filosofia. Planeja-se, em primeiro lugar, apresentar os argumentos defendidos pelas visões do que seja útil e inútil e as suas respectivas objeções, além das leituras alternativas, sobre a abrangência do inútil no pensamento de Heidegger e, em seguida, catalogar as principais noções sobre o que é compreendido como inútil nas obras de Heidegger, analisar o papel do pensamento meditativo, que é capaz de estabelecer uma interpretação coerente e de superar as refutações dirigidas contra as posições do pensamento calculador, bem como às interpretações alternativas, sobre a viabilidade do inútil frente a vida do ser-aí. Compreender a questão da serenidade que é muito importante na filosofia de Heidegger, uma vez que, a serenidade é um deixar as coisas serem como são, permitindo que o ser se revele por si mesmo. Isso envolve uma aceitação e uma entrega ao mistério do ser, uma escuta atenta e uma renúncia a vontade de poder que caracteriza a era técnica. Espera-se que esse novo ângulo interpretativo ofereça uma resposta compatível e coerente sobre a questão da importância das ditas coisas inúteis, da sua contribuição na compreensão e formação do homem.