A DUPLA DEPENDÊNCIA DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO E SUAS FRAÇÕES DE CLASSE EM MEIO ÀS TENSÕES ENTRE EUA E CHINA
Agronegócio; China; EUA; dependência; guerra comercial.
O agronegócio se constituiu como setor dominante da burguesia brasileira em razão de um empreendimento de Estado que, subordinado ao capital financeiro internacional, ofertou uma série de incentivos para o setor primário-exportador. O que representou uma inserção dependente do Brasil no comércio internacional. Ao longo do século XXI, o país se beneficiou do ciclo de valorização de produtos primários, chamado boom das commodities, que tinham como principal destino a China. Contudo, o Brasil e o agronegócio brasileiro se tornaram cada vez mais dependentes também do capital norte-americano, cujos monopólios estão entre os principais players dos complexos agroindustriais. Sendo o agronegócio um setor da economia muito suscetível aos tremores da economia e da geopolítica internacional, diante da disputa comercial, tecnológica e, em última instância, pela hegemonia global entre EUA e China, como o agronegócio brasileiro é afetado do ponto de vista econômico e político? Essas tensões entre EUA e China podem gerar disputas no interior do agronegócio brasileiro? Para responder essa pergunta realizei nesse trabalho uma pesquisa qualitativa, de revisão de escopo, que parte de estabelecer o que é o agronegócio brasileiro para então decompô-lo em face às suas relações econômicas e políticas com os EUA e a China. Por fim, analiso como as representações políticas do agronegócio, suas associações patronais, think tanks e frentes parlamentares, manifestam suas preocupações e opiniões acerca das relações econômicas do agro com os EUA e a China e sobre as disputas entre esses dois países.