O USO DO TERRITÓRIO EM ÁREAS DE MARÉ-MANGUE DA REGIÃO METROPOLITANA DE NATAL-RIO GRANDE DO NORTE- BRASIL
Palavras-chave: Manguezal; áreas de Maré-Mangue; uso do território; racionalidades socioespaciais.
No Brasil os manguezais formam um verdadeiro cinturão verde que cobre quase toda sua extensão litorânea. Nesse contexto, eles estiveram, e ainda estão, na linha de frente de relevantes eventos que se chocaram com a faixa costeira do país; dentre eles, podemos citar a colonização, a urbanização e a industrialização. Dessa maneira, as formas de uso do território que ocorrem sobre suas áreas são as mais diversas, desde a habitacional até a extrativista de grande porte. O estado do Rio Grande do Norte possui manguezais distribuídos por seu litoral norte e sul, sendo as formas de uso mais diversificadas e intensas localizadas na Região Metropolitana de Natal, com especial destaque para aquelas que ocorrem no estuário e na reentrância do rio Potengi. Considerando as diversas formas de uso do território em áreas de manguezal e as escassas pesquisas desenvolvidas sobre o tema, surge como questão norteadora: quais as relações estabelecidas entre distintas formas de uso do território em áreas de Maré-Mangue da Região Metropolitana de Natal-RN, considerando as contradições intrínsecas a esse processo? Sendo assim, traçamos como objetivo geral: compreender as contradições presentes nas formas de uso do território em áreas de Maré-Mangue da Região Metropolitana de Natal. E, visando corroborar com este, os seguintes objetivos específicos: analisar as formas de uso do território em áreas de Maré-Mangue do Brasil, em especial do Nordeste; relacionar distintas formas de uso do território em áreas de Maré-Mangue da Região Metropolitana de Natal e a dialética intrínseca a esse processo, considerando os diferentes agentes, conflitos e normas e contextualizar as formas de uso do território pensando a racionalidade e a contrarracionalidade em áreas de Maré-Mangue da RMN. No que se refere ao nosso arcabouço metodológico, a pesquisa se qualifica como sendo de natureza qualitativa. Além disso, utilizamo-nos dos seguintes instrumentos para aquisição de dados primários e secundários: revisão bibliográfica e documental, observação não participante, entrevistas como base em roteiros semiestruturados, questionário, grupo focal e cartazes participativos acessíveis. Como resultado, desenvolvemos, em caráter preliminar, a categoria analítica “áreas de Maré-Mangue”; compreendemos que os manguezais representam para a sociedade bem mais que um ecossistema, sendo entrecruzados por aspectos sociais, culturais e econômicos. No que tange ao empírico, ao analisarmos as áreas de Maré-Mangue da Região Metropolitana de Natal, identificamos e relacionamos formas diversas de uso do território nos seguintes municípios: Maxaranguape, Ceará-Mirim, Extremoz, Natal, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Parnamirim, Nísia Floresta, Arês e Goianinha. Dentre as principais formas de uso, temos a pesca artesanal, a pesca predatória, o turismo, a carcinicultura e a habitação. Essas distintas formas de uso se relacionam de maneira a criar a realidade dialeticamente contraditória em uma área de Maré-Mangue, sustentadas, por diversas vezes, por discursos pragmáticos conduzidos pelo mercado, que acabam por impulsionar uma parcela da sociedade, formada por “homens lentos” e seus lugares, à marginalização.