Nanoformulacoes a base de Copaifera reticulata Ducke E trans-desidrocrotonina: caracterizacoes fisico-quimicas e avaliacao dos efeitos antioxidante e citotoxico
Copaifera reticulata Ducke; trans-desidrocrotonina; Sistemas SNEDDS; Caracterizações físico-químicas; Análises antioxidante e citotóxica.
Dentre os recursos naturais fitoterápicos da biodiversidade brasileira destacam-se o óleo de copaíba extraído de espécies do gênero Copaifera e o bioativo 19-nor-clerodane trans-desidrocrotonina (t-DCTN), obtido de Croton cajucara Benth. Estas espécies são representantes da medicina popular originária da região amazônica do Brasil, com grande importância no tratamento e cura de diversas doenças. O objetivo principal desta pesquisa foi desenvolver uma nanoformulação coloidal do tipo SNEDDS à base do óleo resina de copaíba de Copaifera reticulata Ducke (OCPR), como sistema carreador do bioativo t-DCTN. Análises cromatográficas foram realizadas para C. reticulata (CG-EM)e o extrato hidroalcoólico da casca do caule de C. cajucara, para isolamento de t-DCTN. A estrutura química de t-DCTN foi analisada por métodos espectroscópicos (IR e RMN de 1H). O sistema SNEDDS-OCPR, isento de co-tensoativo contendo óleo de copaíba (C. reticulata) e Tween 80, foi preparado utilizando-se diagrama de fases ternárias baseado na determinação da máxima solubilidade da matéria ativa (tensoativo) nas fases aquosa e oleosa, por meio de titulações de massa. O diterpeno t-DCTN (1 mg) solubilizado gota a gota com SNEDDS-OCPR por agitação mecânica sob aquecimento (40 oC a 55 oC), formou o nanoproduto SNEDDS-OCPR-DCTN (1 mg/mL). As formulações foram avaliadas em modelos experimentais in vitro antioxidante [atividade redutora equivalente ao ácido ascórbico (CAT), poder redutor, atividade quelante de íons cobre e sequestro de radicais hidroxila, bem como citotóxico pelo método MTT [brometo de (3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)-2,5-difenil tetrazólio], utilizando-se macrófagos e fibroblastos murino da linhagem L-929. A eficácia de encapsulamento de t-DCTN foi avaliada pelo método de solubilidade mínima e máxima, e a quantificação foi realizada por UV-visível (λmax 238 nm). A análise por microscopia eletrônica de transmissão (MET) do carreador SNEDDS-CO mostrou a presença de nanopartículas esféricas com tamanho médio entre 80 nm e 70 nm. As análises de tamanho de partícula, PDI e potencial Zeta mostraram, respectivamente, valores médios de 11,66 nm, 0,17 e -3,85 para SNEDDS-OCPR, e 11,29 nm, 0,10 e -3,44 mV para SNEDDS-OCPR-DCTN, indicando que houve uma distribuição pequena e uniforme das nanogotículas em ambos os sistemas. Os perfis cinéticos in vitro de t-DCTN-encapsulada (SNEDDS-OCPR-DCTN) foram avaliados usando a técnica de diálise, proporcionando perfis de liberação de t-DCTN de acordo com o modelo de Fickian, em que t-DCTN atingiu uma liberação sustentada cumulativa máxima de 90,33 ± 0,01% (360 min.). O efeito antioxidante de ambos os sistemas SNEDDS-OCPR e SNEDDS-OCPR-DCTN mostrou potenciais resultados antioxidantes. Comparativamente, SNEDDS-OCPR-DCTN apresentou forte atividade CAT, bem como poder redutor e sequestro de radicais hidroxila superiores. O sistema SNEDDS-OCPR apresentou melhor atividade no ensaio de atividade quelante. Nos testes de viabilidade celular, os achados mostraram que SNEDDS-OCPR-DCTN nas concentrações 100 µg/mL e 200 µg/mL, inibiu 99% dos fibroblastos. Em concentrações abaixo de 25 µg/mL a viabilidade dos fibroblastos superou 70%. Em contraste, o sistema demonstrou um comportamento distinto em relação aos macrófagos, mantendo a viabilidade celular acima de 50% nas concentrações mais elevadas. Para a linhagem L-929 observou-se IC50 de 35,54 µg/mL. Sob condições específicas, os sistemas de liberação de fármacos SNEDDS-OCPR e SNEDDS- OCPR-DCTN formaram nanoemulsões finas com eficácia significante para biodisponibilização do óleo de copaíba co-encapsulado com t-DCTN, sendo considerados potenciais antioxidantes. Nesse sentido, os novos nanobioprodutos encontram-se biodisponibilizados para futuras investigações farmacológicas in vivo.