ANÁLISE DA PAISAGEM E DETERMINAÇÃO DA CAPACIDADE DE CARGA DAS TRILHAS DA FLORESTA NACIONAL DE AÇU, NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO
Potiguar Basin; Environmental management; Geotechnologies; Ecological trails; Conservation Units.
O bioma Caatinga apresenta grande parte de sua extensão modificada pela ação antrópica, o que reforça a necessidade de ampliar as áreas protegidas e garantir a efetiva conservação das já existentes. Nesse contexto, a Floresta Nacional de Açu (FLONA Açu), localizada no semiárido potiguar, constitui um remanescente de elevada relevância ecológica, abrigando distintas fitofisionomias e atuando como refúgio para diversas espécies da fauna. Diante das pressões externas e do aumento do uso de suas trilhas para visitação, torna-se essencial compreender as potencialidades e limitações desse território, visando ao manejo sustentável e à conservação da biodiversidade. Esta pesquisa tem como objetivo analisar a paisagem e avaliar a capacidade de carga das trilhas da FLONA Açu. Para isso, foi realizada a caracterização ambiental da área de estudo. Foram elaborados mapas temáticos (altimetria, geologia, declividade e geomorfologia), além da análise de imagens de satélite para identificar as classes de uso e cobertura do solo. O trabalho também incluiu inspeções de campo e coleta de amostras de solo. Foram identificadas cinco classes de uso e cobertura: i) infraestrutura; ii) solo exposto; iii) vegetação rasteira; iv) vegetação arbóreo-arbustiva esparsa; e v) vegetação arbóreo-arbustiva densa. A análise granulométrica evidenciou que as trilhas Coral e Caatingueira apresentam maiores teores de cascalho, o que é um limitante para a circulação dos visitantes. Áreas de solo exposto concentram-se próximas à trilha de manutenção, sugerindo alargamento de percurso e maior pressão antrópica. Pequenos fragmentos de vegetação rasteira foram observados em áreas de transição com a vegetação arbóreo-arbustiva esparsa, indicando potenciais pontos de regeneração. Os resultados apontam a necessidade de ações de manejo voltadas à mitigação de impactos, especialmente em setores mais frágeis, de modo a assegurar a integridade ecológica e funcional da unidade de conservação.