Professora do PPgAV participa de residência artística ACENTRICSPACE na China
Regina Johas, artista e professora do PPgAV, participa de residência artística ACENTRICSPACE na China. A experiência tem duração de 3 meses e a produção artística gerada dessa vivência é apresentada na mostra "Hope Is A Dry Colour". Conheça mais sobre o projeto poético de Regina Johas pelas suas palavras:
"Meu projeto para a residência artística ACENTRICSPACE tem como princípio detonador o livro “The Spirit of Hope”, do filósofo sul-coreano-alemão Byung-Chul Han, conhecido por suas análises da sociedade contemporânea, tecnologia, neoliberalismo e cultura. Publicada em 2019, essa obra explora o conceito de esperança no contexto das crises modernas e do crescente sentimento de desesperança que permeia o mundo atual. Han discute como o capitalismo tardio contemporâneo e a hiperprodutividade criam uma sensação de exaustão e argumenta que o otimismo e a esperança foram substituídos pelo medo e pela ansiedade no contexto de crises ambientais, econômicas e sociais. Ele aborda como a sociedade atual, marcada pelo individualismo e pela pressão por desempenho, distancia as pessoas de um senso de coletividade e propósito. Mas, em vez de uma esperança passiva, Han fala de uma esperança ativa, que envolve uma postura de resistência e transformação, e sugere que a verdadeira esperança é um motor de mudança, uma força que pode nos levar a repensar nossos modos de vida e construir novas formas de coexistência e bem-estar.
Viver em um mundo moldado por crises ambientais, econômicas e sociais com um sentimento de desesperança é algo que a maioria de nós está experimentando. Assim, inspirada pela ideia de esperança como ação transformadora, selecionei palavras-chave deste livro que me tocam de maneira especial e me conectam com a expectativa de repensar mundos possíveis, formas de futuro, espaços de possibilidade ainda não criados ou mesmo a esperança como paixão*, para que eu possa reinventar um horizonte que faça sentido para mim.
A esperança é uma cor árida: cores áridas evocam tons terrosos como marrom, bege ou cinza empoeirado - cores que associamos à resiliência em condições adversas, como em desertos ou paisagens secas. Ao retratar a esperança como uma “cor árida”, desejo expressá-la como uma força durável, capaz de persistir em circunstâncias difíceis. A esperança, nesse contexto, como uma presença sutil e silenciosamente duradoura, como algo essencial em períodos difíceis e áridos da vida, quando tudo o mais parece vazio ou esgotado. A esperança como uma mudança necessária, um movimento necessário de busca, em direção ao desconhecido, ao não rastreado, ao aberto, ao que ainda não é*.
(*Algumas frases de Byung-Chul Han que peguei para minha obra de arte)".