Banca de QUALIFICAÇÃO: ROBERTO PAOLO VICO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ROBERTO PAOLO VICO
DATA : 24/03/2019
HORA: 14:30
LOCAL: Auditório "D" do CCHLA
TÍTULO:

OS JOGOS OLÍMPICOS ENTRE MITO E REALIDADE: UM ESTUDO DA PERCEPÇÃO DA POPULAÇÃO DO RIO DE JANEIRO NO CONTEXTO DO USO CORPORATIVO DO TERRITÓRIO RELACIONADO AOS JOGOS OLÍMPICOS DE 2016


PALAVRAS-CHAVES:

Cidade; Megaeventos esportivos; Empresas globais; Uso corporativo do território; Ajuste espacial; Vila Autódromo; Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.


PÁGINAS: 181
RESUMO:

O uso dos territórios pelas grandes empresas e pelas organizações esportivas internacionais tende atualmente a ocorrer de acordo com seus interesses e demandas que são cada vez mais influenciadas pelo capital internacional. Deste modo, a utilização de espaços selecionados do território nacional fica submetido a uma dinâmica que, por intermédio de instituições e empresas internacionais e com a tutela do Estado e dos governos locais, acaba se subordinando a uma lógica global. Este trabalho tem como campo de estudo o fenômeno dos megaeventos esportivos como instrumentos de transformações socio-territoriais, problematizando de que forma as grandes organizações esportivas internacionais como principalmente o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), junto com seus parceiros comerciais e o Estado, utilizam e planejam o espaço geográfico brasileiro para fins de realização dos megaeventos esportivos.O objetivo principal do trabalho consiste em compreender o uso corporativo do território e a percepção da população local do Rio de Janeiro no âmbito da realização dos Jogos Olímpicos de 2016.Utilizou-se como referencial teórico para a discussão sobre território, nomeadamente autores como Santos, Silveira, Corrêa, Harvey, Chesnais e Raffestin entre outros, os quais abordam o debate sobre a nova forma de ajuste espacial da cidade por causa de interesses ligados ao capital mundializado. Ao que se refere ao caso de estudo dos Jogos Olímpicos de Rio de Janeiro, foram essenciais as leituras e as informações de Gaffney, Rolnik, Fontaine, Mascarenhas, Freire, Oliveira, Santos Júnior, Vainer, entre outros. Além disso, explorou-se através da leitura da bibliografia sobre os megaeventos esportivos, análise de casos de estudos de Jogos Olímpicos e seus impactos a nível social e territorial. Pelo que concerne os procedimentos de pesquisa, tratando-se de um tipo de investigação nomeadamente social, optou-se por uma metodologia qualitativa utilizando sobretudo os ensinamentos de Gursoy, Durand, Veal e Meksenas. Para a análise da percepção da população carioca utilizaram-se portanto diversas ferramentas como: a observação direta e participante onde o relacionamento humano e social é mais profundo; a análise do discurso e do conteúdo; o estudo de comunidade; a etnografia; e, sobretudo, a análise de depoimentos. Ao longo do estudo abordam-se questões relativas ao uso corporativo hierárquico do território pelos grandes grupos e organizações esportivas e os efeitos de transformação do espaço derivantes, com particular ênfase na cidade do Rio de Janeiro. Mas, em particular, este trabalho de pesquisa foca-se no doloroso impacto sócio-territorial das remoções e expropriações de moradores que tem acontecido nas comunidades que foram principalmente afetadas pelas intervenções e transformações urbanas devidas à desenfreada especulação imobiliária da Barra da Tijuca ligada aos interesses dos grandes capitais nacionais e internacionais no âmbito dos Jogos Olímpicos. Aborda-se o caso de estudo da comunidade da Vila Autódromo em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, como exemplo de significativa transformação do espaço pelos megaeventos esportivos e de luta e resistência continua da população local. Como resultado parcial da pesquisa, tem-se tornado evidente que uma parte significativa dos moradores se frustraram com esse evento, no sentido de que se poderia ter tentado uma outra lógica de realização do megaevento. O Rio de Janeiro perdeu a oportunidade de enfrentar grandes problemas sociais que marcam a cidade e reproduziu ou aprofundou as desigualdades socio-espaciais existentes.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - ADRIANA CARVALHO SILVA - UFRRJ
Presidente - 2346233 - FRANCISCO FRANSUALDO DE AZEVEDO
Interno - 1530760 - RAIMUNDO NONATO JUNIOR
Notícia cadastrada em: 13/03/2019 15:03
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