ÍNDICE DE QUALIDADE ANTIOXIDANTE E CAPACIDADE ANTIOXIDANTE TOTAL DA DIETA DE INDIVÍDUOS COM ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA
Esclerose Amiotrófica Lateral. Antioxidantes. Consumo Alimentar. Dieta. Micronutrientes.
A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva com importante impacto sobre o estado nutricional e funcional dos indivíduos. A alimentação tem papel central na modulação da inflamação, do estresse oxidativo e da evolução clínica da doença. Embora parâmetros dietéticos como o Índice de Qualidade Antioxidante da Dieta (IQAd), a Capacidade Antioxidante Total da dieta (CATd) e a classificação NOVA sejam utilizados para avaliar a qualidade alimentar, ainda são escassos os estudos que exploram sua relação com desfechos clínicos em indivíduos com ELA. O objetivo do estudo foi avaliar a relação o IQAd e CATd, com variáveis demográficas e clínicas, em indivíduos com ELA. Foi realizado um estudo descritivo transversal com 68 indivíduos atendidos no ambulatório multidisciplinar de ELA do Hospital Universitário Onofre Lopes – HUOL (UFRN). A amostra foi caracterizada quanto ao sexo, características demográficas, clínicas e nutricionais. A progressão e a gravidade da ELA foi determinada pela Escala Funcional da ELA revisada (ALSFRS-R). O estado nutricional foi medido pelo índice de massa corpórea [IMC (kg/m2)] categorizado em baixo peso, eutrofia e sobrepeso. O consumo alimentar e dietético dos participantes foi avaliado por meio de dois recordatórios 24h (R24) aplicados em dias não consecutivos. A análise do consumo de energia e micronutrientes foi realizado pelo software Virtual Nutri Plus®. O IQAd foi calculado a partir da ingestão dietética de vitamina A, vitamina C, vitamina E, zinco e selênio, usando escore categorizado em “baixo/médio” e “alto”. A CATd (mmol/1000 kcal/dia) foi estimada a partir de dados da literatura obtidos pelo método Ferric Reducing Antioxidant Power (FRAP), sendo categorizada em “alta” e “baixa”, de acordo com a mediana. Os dados de CATd foram também descritos conforme percentual de contribuição de cada grupo da classificação NOVA, em relação ao CATd total. Todas as variáveis coletadas foram submetidas a análises descritivas. Dados que apresentaram distribuição normal foram analisados pelo teste-t independente, e sem distribuição normal foram analisados pelo teste não-paramétrico de Mann-Whitney os quais foram empregados para comparar os grupos de IQAd (alto x baixo/médio) e CATd (alta x baixa), quanto as características demográficas e clínicas. Para todos os testes foram calculadas as medidas de tamanho de efeito. As análises foram conduzidas no software R versão 4.5.0, nível de significância () de 5%. Participantes diferiram estatisticamente entre os sexos, com valores superiores para sexo masculino quanto a ALSFRS-R (p=0,013) e consumos de energia (kcal/dia), p < 0,001, vitamina C (mg/dia, p=0,004) e zinco (mg/dia, p=0,018). A CATd foi proveniente em maior quantidade (79,8%) do grupo alimentar G1 (NOVA). O grupo com IQAd alto apresentou menor tempo de duração dos sintomas em meses (p=0,023) e maiores pontuações na escala ALSFRS-R (p=0,047), comparado ao grupo IQAd baixo/médio. Valores mais elevados de IMC foram observados no grupo com CATd alta diferindo estatisticamente daqueles com CATd baixa (p=0,039). Em conclusão, o IQAd e CATd mostraram-se associados a indicadores clínicos relevantes em indivíduos com ELA, incluindo estado nutricional, capacidade funcional e progressão da doença. A predominância de alimentos in natura e minimamente processados como principais fontes de antioxidantes reforça a importância da qualidade alimentar no manejo nutricional da ELA.