Elucidação Estrutural de Surugamidas e sua Interação com Montmorilonita para Aplicações de Liberação Controlada.
Peptídeos cíclicos; Surugamidas; Modelagem molecular; Espectroscopia de RMN; Montmorilonita; Interações peptídeo–argila
O interesse por peptídeos cíclicos na pesquisa farmacêutica tem crescido de forma consistente, impulsionado por sua estabilidade conformacional, resistência à degradação enzimática e versatilidade funcional. Dentre eles, as surugamidas constituem uma família promissora de octapeptídeos cíclicos não ribossômicos com atividades biológicas relatadas, mas com estruturas tridimensionais pouco compreendidas. A falta de modelos moleculares confiáveis e de informações cristalográficas limita a compreensão do seu comportamento em ambientes complexos, particularmente em interfaces relevantes para sistemas de administração de fármacos. Para superar essa limitação, um protocolo experimental de modelagem molecular foi desenvolvido e validado para investigar o comportamento conformacional e interfacial das surugamidas. A metodologia foi inicialmente validada utilizando ribifolina e gramicidina S como peptídeos de referência com dados cristalográficos conhecidos. A otimização da geometria cristalina seguida por simulações de dinâmica molecular demonstrou que o campo de força INTERFACE reproduz com precisão as características intramoleculares e os parâmetros da célula unitária, comprovando sua aplicabilidade a peptídeos sem modelos tridimensionais resolvidos. Em seguida, as surugamidas foram sintetizadas por síntese de peptídeos em fase sólida (SPFS) e caracterizadas por espectroscopia de RMN. Os ângulos diedros experimentais foram usados como restrições para construir modelos confiáveis dentro da estrutura validada. Esses modelos possibilitaram a investigação das interações de peptídeos com a montmorilonita, um mineral argiloso amplamente utilizado em formulações farmacêuticas. As simulações forneceram informações sobre como a conformação, a distribuição de carga e o estado de protonação influenciam os processos de adsorção e intercalação, contribuindo para uma melhor compreensão da relação entre a organização molecular e o comportamento interfacial. Essa abordagem também pode ser estendida a outros peptídeos cíclicos que não possuem dados cristalográficos e pode auxiliar no projeto racional de sistemas peptídeo-argila para aplicações de liberação controlada.