Voltametria de pulso diferencial como ferramenta analítica para detecção de compostos orgânicos em matrizes complexas.
ELETROANÁLISE; DPV; ELETRODO DE CARBONO VÍTREO; ANTIOXIDANTES; VERMELHO DE METILA
Nas últimas décadas, a análise de compostos orgânicos em matrizes complexas tem ganhado relevância crescente em áreas como química ambiental, ciência de alimentos e controle de qualidade. A presença de antioxidantes naturais em alimentos e de poluentes orgânicos sintéticos, como corantes em águas residuais, destaca a necessidade de metodologias analíticas que sejam precisas, sensíveis e adaptáveis a diferentes tipos de amostras. Técnicas convencionais, como a espectrofotometria UV-Vis e a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC), são amplamente utilizadas, mas frequentemente exigem preparação extensiva de amostras, altos custos operacionais e o uso de reagentes potencialmente perigosos. Em contraste, métodos eletroanalíticos, como a Voltametria de Pulso Diferencial (DPV), oferecem alta sensibilidade, baixo consumo de reagentes, análises rápidas e monitoramento em tempo real. Esta dissertação avaliou a DPV para duas aplicações: determinar a capacidade antioxidante da polpa congelada de açaí e monitorar a degradação do corante vermelho de metila, um corante azo tóxico e persistente. Para a análise do açaí, extratos etanólicos obtidos por extração assistida por ultrassom foram analisados usando voltametria cíclica e DPV com eletrodo de carbono vítreo, revelando um pico de oxidação e um índice quantitativo eletroquímico de aproximadamente 2,3 µA/V, confirmando seu alto potencial antioxidante e conteúdo fenólico, corroborados pelos ensaios de DPPH e Folin–Ciocalteu. Para o vermelho de metila, a DPV monitorou eficazmente sua oxidação eletroquímica mediada em águas sintéticas e reais, utilizando eletrodo de carbono vítreo e um ânodo dimensionalmente estável para eletrólise, alcançando descoloração completa em 30 minutos sob condições ácidas ótimas (0,001 M de cloreto) e seguindo cinética de pseudo-primeira ordem. As curvas de calibração construídas por DPV apresentaram excelente linearidade (R² > 0,99) e baixos limites de detecção, comparáveis às análises por UV-Vis e HPLC, mesmo em amostras de água de lagoa e de poço. Esses resultados demonstram que a DPV é uma ferramenta analítica robusta, versátil e precisa, com grande potencial para avaliação da qualidade de alimentos e monitoramento ambiental de poluentes orgânicos.