BIOPROSPECÇÃO DE EXTRATOS E ÓLEOS ESSENCIAIS DE 16 ESPÉCIES DE PLANTAS ENDÊMICAS DA CAATINGA: ATIVIDADE ANTIBACTERIANA, PARA CONTROLE DO Aedes aegypti, CITOTOXICIDADE E DESENVOLVIMENTO DE FORMULAÇÕES.
Caatinga; extratos; Óleo essencial; Aedes aegypti; Antibacteriano
A maior floresta tropical seca do mundo se encontra no Brasil, localizada no domínio biogeográfico da caatinga, uma região originalmente semiárida que ocupa uma área de 11% do território brasileiro. Ela abrange boa parte da região nordeste brasileira e possui diversas espécies de plantas com relato de uso medicinal popular e que contém em sua composição fitoquímica moléculas bioativas . Foram produzidos extratos de folhas e cascas do caule de 16 espécies de plantas coletadas na Floresta Nacional de Assu, RN. Foram desenvolvidos métodos de análise dos extratos por UHPLC-DAD. Foi avaliada a citotoxicidade dos extratos pelo método de redução do MTT em células de fibroblásticas L929-CCL1 e pre-osteoblásticas MC3T3-E1, além da atividade antibacteriana em S. aureus e E. coli pelo método de difusão em ágar, sendo desenvolvida uma formulação a base de gel para o extrato mais ativo (Cenostigma bracteosum). A atividade dos extratos também foi avaliada em larvas do mosquito Aedes aegypti. Além dos extratos, foi possível obter e caracterizar por GC-MS o óleo essencial de uma das espécies coletadas (Bauhinia cheilantha), além de avaliar sua atividade em larvas e mosquitos Aedes aegypti e também o efeito citotóxico em células L929 e MC3T3. A partir do óleo essencial, nanoemulsões foram produzidas e caracterizadas em comparação com nanoemulsões contendo óleos essenciais de cravo e canela. Foi observada atividade antibacteriana em S. aureus para os extratos de C. bracteosum, Combretum leprosum e Cochlospermum vitifolium e em E. coli para o extrato de C. bracteosum, sendo esse último mais ativo. Foi possível produzir géis estáveis contendo o extrato de C. bracteosum a 1% e 3%. Os extratos produzidos com hexano e acetato de etila de Libidibia ferrea, C. vitifolium, e C. leprosum foram ativos em larvas de Ae. aegypti. O óleo essencial (OE) de B. cheilantha (mororó) foi obtido por hidrodestilação e por extração em micro- ondas (EAM), sendo que a EAM apresentou rendimento muito superior. O OE foi caracterizado por GC-MS e teve sua atividade confirmada em larvas e mosquitos Ae. aegypti. Foi produzida uma nanoemulsão contendo OE de mororó, que se apresentou muito menos estável do que as nanoemulsões contendo os OEs de cravo e canela. Não foi observado efeito citotóxico dos extratos (até 100 μg/mL) e do OE de mororó (até 50 μg/mL) nas linhagens testadas. Portanto, a descoberta de potenciais atividades do OE e dos extratos das folhas dessas espécies será útil para etapas posteriores de fracionamento, isolamento e desenvolvimento de formulações, agregando valor e aumentando o conhecimento científico sobre as plantas utilizadas no projeto de restauração de áreas degradadas na caatinga.