A UTILIZAÇÃO DO TEATRO DE JOÃO REDONDO COMO FERRAMENTA PEDAGÓGICA PARA INTERVENÇÃO EM AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA
Teatro de João Redondo; Mamulengo; Literatura de Cordel; Ensino de Língua Portuguesa.
Este trabalho tem como objetivo geral desenvolver uma intervenção pedagógica, prática e reflexiva, sobre a efetiva incorporação do teatro de João Redondo no ensino da Língua Portuguesa, utilizando como referência a peça "Torturas de um Coração", de Ariano Suassuna. A pesquisa busca suavizar o crescente desinteresse pela leitura e as dificuldades de compreensão e escrita observadas em estudantes do Ensino Fundamental II, fenômeno intensificado no cenário pós-pandemia da Covid-19. A metodologia adotada é de cunho qualitativo, baseada na pesquisa-ação, envolvendo diretamente os alunos do 9º Ano A de uma escola estadual em Santa Cruz/RN como colaboradores. A intervenção foi estruturada por meio de uma sequência didática (SD) que se alinha aos princípios das metodologias ativas, promovendo o protagonismo estudantil e a aprendizagem significativa. A fundamentação teórica baseia-se amplamente no Círculo de Bakhtin (Bakhtin, Voloshinov e Medvedev), que compreende os gêneros discursivos como práticas sociais e dialógicas, e a linguagem como um acontecimento social e ético. A operacionalização pedagógica dos gêneros em sala de aula é discutida por autores como Marcuschi (2008) e Schneuwly e Dolz (2004). O teatro como estratégia de ensino-aprendizagem é embasado por estudos de Leite (2015), Oliveira (2024) e autores que abordam o teatro de mamulengos (Macêdo, 2019; Santos, 2018; Jasiello, 2003). A literatura de cordel é analisada como gênero discursivo em Abreu (2011) e Marques e Silva (2020). Os princípios da pesquisa-ação são abordados por Thiollent (2011) e Franco (2021). Os resultados esperados indicam que a integração do teatro de João Redondo e da Literatura de Cordel no ensino de Língua Portuguesa promove o desenvolvimento de competências linguísticas, expressivas, cognitivas e sociais, alinhando-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). A proposta valoriza a diversidade cultural e linguística, fomenta o protagonismo estudantil e contribui para a formação de sujeitos críticos e conscientes de sua identidade.