PRÁTICAS ESG E DESEMPENHO FINANCEIRO CORPORATIVO: EVIDÊNCIAS EMPÍRICAS MULTIDIMENSIONAIS EM EMPRESAS BRASILEIRAS
ESG; Desempenho financeiro corporativo; Constructos latentes; Dados em painel; Mercados emergentes; Finanças sustentáveis.
Esta tese investiga a relação entre práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e o desempenho financeiro corporativo das empresas brasileiras listadas na B3, a partir de uma abordagem integrada que combina revisão sistemática da literatura, construção de indicadores financeiros compostos e análise econométrica com dados em painel. Inicialmente, é realizada uma revisão sistemática da literatura, com base no protocolo PRISMA, com o objetivo de mapear a evolução teórica e empírica dos estudos sobre ESG e desempenho financeiro, identificar padrões recorrentes, tensões conceituais e lacunas metodológicas. Os resultados da revisão evidenciam predominância de associações positivas reportadas na literatura internacional, mas também revelam elevada heterogeneidade empírica, fortemente associada a diferenças de mensuração do desempenho financeiro, contextos institucionais e escolhas metodológicas.
Na sequência, a tese propõe uma abordagem alternativa para a mensuração do desempenho financeiro corporativo, baseada na estimação de constructos latentes multidimensionais. A partir de técnicas multivariadas, são sintetizados indicadores contábeis e financeiros em quatro dimensões fundamentais da performance empresarial: eficiência econômico-operacional, liquidez e estrutura patrimonial, geração de caixa operacional e eficiência na utilização dos ativos. Essa etapa contribui para a superação das limitações associadas ao uso de métricas financeiras isoladas, ampliando a consistência analítica e a capacidade explicativa das análises empíricas subsequentes.
Por fim, os constructos financeiros latentes são utilizados como variáveis dependentes em modelos econométricos de dados em painel aplicados a uma base longitudinal de empresas brasileiras no período de 2013 a 2023, combinada a escores ESG desagregados nas dimensões ambiental, social e de governança. A estratégia empírica emprega modelos com efeitos fixos por empresa e por ano, complementados por análises diagnósticas de variabilidade temporal e testes de robustez baseados no modelo híbrido de Mundlak. Os resultados indicam ausência de evidência robusta de efeitos dinâmicos de curto prazo das variações nos escores ESG sobre os constructos de desempenho financeiro. A decomposição da variância revela elevada persistência temporal dos indicadores ESG, com predominância do componente estrutural entre empresas. De forma consistente, os testes de robustez sugerem que eventuais associações entre ESG e desempenho financeiro manifestam-se predominantemente como diferenças estruturais persistentes entre firmas, e não como efeitos intraempresa ao longo do tempo.
Em conjunto, os achados indicam que, no contexto brasileiro, o ESG opera mais como um atributo organizacional estrutural e cumulativo do que como um fator capaz de gerar impactos econômicos imediatos. A tese contribui para a literatura ao integrar evidências teóricas e empíricas, propor uma mensuração multidimensional do desempenho financeiro e oferecer uma interpretação mais cautelosa e contextualizada da relação entre ESG e performance corporativa em mercados emergentes.